17 de set. de 2011

"Acho que foi um dos seus mais brilhantes textos até agora. Você conseguiu passar toda a visão de uma garfada de comida através da forma de um poema. Eu me senti um prato de arroz strogonoff e batata palha." Newsweek Time NY Times Meia Hora Ah. tá bom, foi do Alcidess mesmo!

O Texto em sim propriamente dito por sinal

Um velho almoçando
dois velhos amloçando
cem velhos almoçando
mil velhos almoçando
cem mil velhos almoçando
infinitos velhos almoçando
42 velhos almoçando
almoço ad eternum

Um velho careca
comendo strogonoff
com arroz e batata palha
um fóssil
um museu
os velhos carecas comendo
strogonoff com arroz
com arroz e bata palha

Um velho careca
um velho quase careca
com um fino tapete de
cabelos brancos disfarçando
a sua careca

Um velho carecaquasecareca
de óculos
almoça strogonoff com arroz batata palha
com arroz strogonoff

Um velho de óculos
carequasecareca
comendo tranqüilo seu strogonoffcomarrozcombatatapalhaarrozebatatapalha
com arroz e batatapalha
no seu almoço sem fim
um velho quase de óculos
careca
toma seu cafezinho
que nunca acaba
Um velho careca quase de óculos remexe em seu prato
o almoço não acaba
o strogonoff não acaba
o arroz não acaba
o arroz não acaba
a batatapalha não acaba
o velho nunca acaba.

O velho acabou
com batatapalha

31 de ago. de 2011

31/08

Parabéns pra Netuno
pela sua descoberta
e pro Quiriguistão pela sua
independência.
Parabéns para o Rio
que virou capital
mas que perdeu o posto
depois.
Parabéns para Jack,
o Estripador,
pelo seu primeiro assassinato
(                                                         )
  a primeira vez a gente nunca
                                             esquece
.
Ao pobre Costa e Silva
afastado do poder
mando minhas condolências
e meus pesâmes a
princesa Diana
porque morrer deve ser uma merda
Feliz dia do nutricionista,
contanto que não me mandem
dietas
E parabéns
com ressalvas
ao Uzbequistão
que mesmo independente entrou
no mesmo dia entrou para a
C
E
I
que é uma maneira disfarçada de continuar dependente
eu queria me mudar para Uberlândia
pra ter feriado no dia do meu aniversário
Parabéns para Trinidad
e Tobago
que são quase um país dois-em-um
pela sua independência
e ao leitor atento
que notou que eu já estou sem idéias.
E por fim,
feliz dia da conscientização nacional sobre
a Esclerose Múlltipla
mais uma data
que podia virar feriado.

21 de ago. de 2011

Cheiro de Jasmim

Eu gosto de pensar que os ditadores sanguinários, principalmente quando em regiões próximas e/ou semelhantes culturamente, acabam sendo como pecinhas de dominó enfileiradas. Você empurra a primeira e as demais vão caindo como se fosse uma reação em cadeia. Em parte porque realmente é uma reação em cadeia, mas deixa isso quieto. Agora há pouco ou talvez nem tão pouco assim caiu mais uma pecinha. Uma pecinha daquelas bem chatas, que há uns bons seis meses resistia com afinco a lei da gravidade e lutava para se manter em pé. Sim, senhoras e senhores, caiu o Kadafi.

E o texto é só isso mesmo.

4 de ago. de 2011

Estranho mas não muito

Hoje prometia. Prometia ser um dia bem chato e dentro do normal. E de fato, fora uma ou duas violações isoladas  e perfeitamente justificaveis da lei da gravidade, foi um dia absolutamente chato e normal. De chatice e normalidade irretocaveís. Irrepreensíveis. Seriam nota 10 se não fossem tão aborrecidos, o que é quase um elogio em termos de chatice.

Veja bem, hoje tudo corria dentro da maior normalidade. Até mesmo as violações perfeitamente justificaveis da lei da gravidade foram perfeitamente normais, visto que eram perfeitamente justificaveis. E o Jobim, por exemplo, foi demitido, como já era de se esperar. Aliás, foi demitido não, demitiu-se. Ministros nunca são demitidos, se demitem. Deve ter algum tipo de código de honra ministerial, como existia o dos samurais, que diz que se você for derrotado, vale mais a pena se demitir. Como se sair dizendo "não tô mais afim de brincar!" fosse capaz de apagar todas as cagadas feitas ao longo do caminho.

Pois bem, quem diria que, justo no ápice da chatice e da normalidade do dia de hoje, o imponderável abriu uma pequena brecha para atuar. Senhoras e senhores, acreditem ou não, nosso novo ministro da defesa é, nada mais nada menos que: Celso Amorim.

"Mas esse cara não era o chanceler do governo Lula?" você deve ter pensado. E sim, ele realmente era o chanceler do governo Lula. Se isso não pode ser considerado uma brecha do imponderável, há de se convir que é algo no minímo inusitado. Inusitado sim, mas não completamente imbecil e impensado.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que, mesmo sem fazer nada, Amorim possui neurônios e é capaz de utilizá-los de maneira eficaz e com grande competência, o que é uma larga vantagem em relação ao seu antecessor, conhecido por, digamos assim , assumir posições controversas e dar declarações impensadas em momentos inoportunos. Um gentleman.

Ter um diplomata no comando do exército deve mudar algumas coisas. Acredito que a compra dos caças franceses, por exemplo, ficará (ainda) ainda mais complicada. Não é só porque o Jobim que estava mais inteirado do assunto (ou não, sei lá), mas principalmente pela formação do novo ministro, muito menos belicista que o seu antecessor. Porém, nem tudo deve ser ruim. A tal comissão da verdade, por exemplo, pode finalmente sair. E o Brasil pode abandonar a missão da ONU no Haiti, a qual, até onde sei, nunca agradou muito o novo Senhor da Guerra ministro.

Em absoluto, quem não deve ter gostado muito dessa brincadeira foi o PMDB, que perdeu um ministério e, de quebra, viu ele ser ocupado por um petista. Amorim era filiado ao PMDB, mas virou a casaca tem uns anos já.

Essa escolha também põe em xeque a independência de Dilma. Justamente no momento que ela vinha ganhando força junto a opinião pública com a faxina promovida no Ministério dos Transportes, ela coloca no cargo um ex-ministro do Lula. Será que a coisa tá tão feia que não tinha mesmo nenhum militar melhor qualificado?

Enfim, foi algo inusitado com certeza, mas inusitado não é e nunca foi sinônimo de incompetência. Podemos lembrar de um sociólogo que, no comando do Ministério da Fazenda, criou um plano que até hoje faz sucesso estrondoso.

Em tempo: Como será que a oficialidade do exército vai reagir ao comando de um diplomata? Espero que eles não fiquem sabotando o Celso.

31 de jul. de 2011

Visite o Potemkin e traga um amigo

Hoje é o último dia do mês. Coincidentemente, faltam apenas 55 visitas para quebrar o recorde de visitas em um único mês no Potemkin. Por isso, eu queria pedir à todos os leitores que visitam o blog que o indicassem p um amigo (é fundamental pedir para esse amigo indicar o blog para outra pessoa) e ver se dá em alguma coisa.

Se der certo, eu farei posts destrinchando as estatistícas do blog, o que é bem mais divertido do que parece.

Update: CONSEGUIMOS!!!! Em menos de duas horas as visitas foram alcançadas!!!! Obrigado a todos que participaram!!!

30 de jul. de 2011

Sensacional tira do Alcidess, que meio que voltou a postar hoje. Não digo mais nada porque, pa b ented me pal bas



Confira mais do alcidess  aqui








P.S. Só para esclarecer os menos esclarecidos, aquele do vídeo não era o Alcidess. Até onde eu sei, ele não canta e dança, apenas faz tiras e contos. Caso você seja antigo no blog, provavelmente já sabe onde encontrá-lo, mas para os marinheiros de primeira viagem, basta procurar o link Piadas, Cotidiano e Psicanálise ao lado, junto de outros blogs semi-inativos ou inexstentes. Caso você esteja com muita preguiça de ir até a barra lateral, clique aqui

Arquivo morto-vivo (ou na falta de um título decente)

Nesses últimos dias eu tenho me dedicado a um exercício muito comum à escritores de toda a sorte, que em geral o realizam com certa frequência.

Não, eu não estava fazendo nenhum exame médico para verificar se eu estava com tuberculose. Nem estava bebendo meio copo de uísque sentado sozinho numa mesa isolada num barzinho à meia luz. E eu também não tentei me matar (eu lá sei que tipo de escritor o amigo leitor costuma frequentar).

Eu estava relendo meus textos antigos. Muito divertido hein você deve estar pensando. Se é isso que os escritores fazem no tempo livre, o que será que eles fazem quando estão trabalhando. Porrannn.

Mas não é. Mais que excesso de tempo livre, reler seus textos é um exercício. De paciência principalmente, uma vez que você já sabe o final de todos eles.

Mas também se aprende. É claro que o quanto se aprende depende do escritor e do seu senso do ridículo de autocrítica. Escrever é um processo de aprimoramento constante. Você dá uma ajeitadinha aqui, uma mexidinha aqui e pronto: continua uma merda, mas é uma merda autêntica!

É uma experiência única poder reler seus textos. Recomendo à todos que escrevem que o façam, e aos que não escrevem, que comecem a escrever agora para, daqui a um ano, poderem reler o que começaram a escrever.

Reler os textos escritos é testemunhar o seu crescimento e amadurecimento. Cada vez que eu vejo um texto meu escrito ano passado eu penso: que merda, não acredito que eu achava isso bom. É palpável a minha insegurança, por exemplo, ao navegar e tentar fazer malabarismos com as palavras.

Aliás, se antes eu não entendia o que queriam dizer com: seus textos precisam de mais segurança, agora eu entendo e acho que segurança fica até um pouco vago para defini-lo. Me parece, hoje em dia, que o que me faltava naquela época eram a familiaridade, a malícia e a experiência que só se ganha com o tempo.

Você pode argumentar, caro leitor, que me faltava qualidade literária. Mas isso falta até hoje.  E não aparece nem com reza braba.