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11 de fev. de 2017

Moraes foi um erro, mas não pelo que te disseram

Muito foi dito, escrito e gritado sobre o novo Ministro do STF, Alexandre Moraes. Sim, Ministro. Vocês estão querendo enganar quem achando que ele não vai passar na sabatina? Que, inclusive, já foi adiantada. Aquilo no Senado é só para formalizar. Enfim, muito já foi dito e, dentro desse muito que foi dito, a maioria foi de gente contrária à indicação dele. Na verdade, tirando o Lênio Streck, que o fez de forma bastante irônica, ninguém o elogiou. 

Isso acontece porque a indicação acontece porque a indicação foi uma merda mesmo. O Moraes está mais longe de ter o perfil esperado para um Ministro do Supremo do que eu estou do sonho de namorar com a Gisele Bundchen (obrigado, Tom Brady). 

Entretanto, a maioria dessas críticas detona o Moraes pelos motivos errados. Poucas pessoas passam do moralismo trivial ao se referirem ao cabeça de pirulito, digo, ao Ministro Moraes. Só aqui, com exclusividade, você lê uma crítica séria, sóbria e sem moralismos, sem mimimis e sem frescuras sobre o porque nomear o Moraes para o STF foi uma tremenda cagada do Temer. 

Do que vi, li e ouvi por aí, podemos separar os argumentos em três grupos principais: (i) foi uma indicação política do Temer; (ii) o Alexandre de Moraes não sabe o suficiente de Direito para ocupar o cargo e (iii) ele foi advogado do PCC. Todo o resto é variante de um desses. Por trás de cada um desses se esconde um moralismo ou um boçalismo. O meu objetivo é desbancar cada um deles para, depois, falar porque ele foi um erro.

Bom, vamos lá. O Moraes foi uma indicação política. Óbvio que foi. Para quem não sabe, estamos falando de um homem que uniu, em sua carreira, os ideais do concurseiro e de quem segue carreira na área privada: desde que virou procurador tem se dedicado a bajular políticos para progredir rapidamente dentro do funcionalismo público. Foi dessa forma que ele chegou à Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, depois ao Ministério de Justiça e depois ao Tribunal Federal (tá difícil chamar ele de Supremo hoje em dia). 

Além disso, era necessário que o Temer se livrasse dele e, ao mesmo, tempo impossível. Verdade seja dita: ele geriu de forma mais pavorosa que a sua brilhante careca as revoltas que eclodiram nos presídios Brasil e, mesmo antes disso, seu desempenho no cargo já vinha sendo, no mínimo, catastrófico. Obviamente já tinha gente pedindo a cabeça dele, inclusive dentro do PMDB. Ao mesmo tempo, o Moraes é filiado ao PSDB e homem de confiança do Temer. Não tinha como ele sair sem causar um desequilíbrio na base aliada. Dando a ele a vaga no TF, ele se livra do Moraes, já que as merdas dele deixam de ser responsabilidade do presidente, contempla o PSDB com um Ministro e abre mais espaço na esplanada para o PMDB. 

Mas não é errado? Olha, até é, mas todo presidente tem seu escudeiro na corte. O Lula teve o Toffoli até o cérebro dele ser misteriosamente reprogramado pelo Gilmar, o FHC teve o próprio Gilmar, o Collor indicou o primo etc. Enfim, o que o Temer fez não é novidade. É feio, mas comer doce antes do parabéns também é e todo mundo continua fazendo.

Ah, mas Zé, me falaram que o livro dele é uma merda. Sim, é superficial, mas qual livro hoje em dia não é? O nível acadêmico do Direito brasileiro atualmente é muito raso. Digo isso com dor no coração, por ser advogado e também acadêmico, mas é a verdade. Para quem não é da área, aquela coluna do Lênio que eu linkei no começo do texto pode ajudar a entender melhor o que se passa. O que, você não viu? Sem problemas, é essa daqui. De nada.

O Moraes foi um dos precursores dessa nova onda be boçalismo jurídico, com explicações rasas e um verdadeiro ctrl C + ctrl V da jurisprudência, sem refletir criticamente sobre as decisões que copiava.   Aliás, agora descobrimos que não eram só decisões que ele copiava. De qualquer forma, or incrível que pareça, o que veio depois foi ainda pior: a praga dos livros no estilo "Direito Descomplicado", "Direito Simplificado", "Direito para Idiotas" e "Curso de Direito Civil com Figuras" dentre outros. Ou seja, por incrível que pareça, ele nem é dos piores. E o Toffoli foi nomeado Ministro depois de ter sido advogado do PT a vida inteira e sem ter publicado nada relevante. Nada de novo no front.

Porra, tu é muito chato, Zé. Sim, eu sei. O cara foi advogado do PCC, como você explica isso? Primeiro, ele foi advogado da Transcooper, uma empresa de vans suspeita de ligação com o PCC. Ainda vigora o princípio da presunção de inocência por aqui, galera. Além disso, foda-se que ele foi advogado do PCC. Ele pode advogar para quem ele quiser. O advogado defende direitos e garantias, inclusive o que a gente chama de "devido processo legal", ou seja, o direito a ter um processo regular, tramitando conforme a lei. 

Toda vez que a gente coloca no quadro a equação "advogado de criminoso = criminoso" a gente está deslegitimando o exercício da advocacia, colocando em risco a atividade de diversos profissionais. Quem dúvida só lembrar de 2013, quando advogados foram perseguidos pela repressão estatal por defenderem manifestantes. A advocacia é muito mais que uma profissão, é uma atividade essencial para a manutenção dos direitos em uma sociedade democrática. Vamos mantê-la assim, que tal?

O que me revolta nesses argumentos é que toda vez que a gente se deixa levar por essa "cortina de fumaça", a gente esquece de sentar o pau no Moraes pelo que ele realmente merece. A gente está falando de um cara absolutamente ordinário. Enquanto eu escrevia esse texto, acabava de vazar o terceiro plágio dele desde a indicação ao cargo. Sem contar que ele contrariou o que disse na própria tese de doutorado ao aceitar um cargo. Parece que nem ele leu o que escreveu. Ou copiou. Não sei mais.

Além disso, a gente está falando de um homem que possui um verdadeiro tesão pela repressão. Até a ONU criticou ele pela conduta da PM na repressão às manifestações. Aliás, qualquer um que tenha visto o péssimo trabalho que ele fez como Secretário de Segurança Pública sabe da inépcia dele para o cargo. São Paulo hoje tem índices de violência altíssimos e uma das Polícias mais letais do país.

Para quem não lembra, foi na gestão dele que a polícia paulista maquiou os dados estatísticos para diminuir artificialmente o número de homicídios em São Paulo. Parece que não é só sobre a autoria de seus livros que nosso Ministro costuma mentir.

Além das evidentes falhas de caráter, eu preciso sublinhar outro traço do Moraes, que é o seu ego galopante. Ele faz de tudo para aparecer. Alguém já esqueceu dele anunciando a prisão do Palocci num comício um dia antes dela acontecer? E dele cortando os pés de maconha no Paraguai?




O pior de tudo, para mim, foi quando ele quase pôs uma investigação de um grupo terrorista a perder só pelo privilégio de uma coletiva. Acabou que a tal célula do ISIS no Brasil não era isso tudo, mas o silêncio constrangedor do então Ministro da Justiça quando perguntado como eles haviam conseguido as informações das conversas do grupo se o WhatsApp não as fornece deixou muito claro para todos que havia gente infiltrada na tal célula. Se fossem uma ameaça real, provavelmente os infiltrados teriam sido mortos e os terroristas teriam seguido adiante. Tudo porque ele não conseguiu se conter e tinha que sair por aí espalhando o que estava acontecendo.

Agora fechem os olhos e imaginem esse homem de toga. No Supremo. Vocês conseguem ver o que vai sair dali? Pois é. Por isso que ele não deve ser ministro de nada. 

1 de ago. de 2013

Até que a morte os separe

Tudo nasce, cresce, se reproduz e morre. É o chamado ciclo da vida. Vale pra tudo. Tudo mesmo. Do cão abandonado na rua àquela pizza que você pediu as três da manhã. Infelizmente a pizza não vai se reproduzir mas o espírito é esse: surgir e desaparecer.

Da mesma forma, já está mais do que na hora do PT dar um sumiço nessa aliança com o PMDB. Os efeitos sentidos já são mais do que negativos. Aqui no Rio, por exemplo, Dilma vem surfando na onda de popularidade negativa do Cabral e caindo vertiginosamente nas pesquisas. O que não é muito legal, considerando que o Estado é o terceiro maior colégio eleitoral do Brasil. 

Não é de hoje que Dilma sofre nas mãos do partido, que mais parece da oposição do que qualquer coisa. Mas os entraves colocados pelo partido, em seu voraz apetite por cargos, vão se intensificando com o passar do tempo. Vide Eduardo Cunha que, cumprindo o que prometia, causou mais transtornos à presidência ao propor uma PEC que reduz para 20 o número máximo de ministérios. Adiantando: sou contra, não pelo teor da proposta, mas pelo fato de considerar essa uma decisão administrativa que cabe somente ao Poder Executivo.

O horizonte petista para 2014, que até dois meses atrás prometia ser tranquilo, se torna cada vez mais negro, conforme se aproximam as nuvens da tempestade e se ouve, de longe, o ecoar dos trovões.

O momento requer, acima de tudo, coragem para abraçar a loucura. O país, dizem, se tornará ingovernável, sem o PMDB. Ingovernável é o país hoje, com Dilma tendo que considerar todas as necessidades de seu voraz "aliado" antes de tomar a menor decisão sobre os rumos da nação.

O PT precisa tomar a iniciativa de romper com o PMDB. Tomar o pé na bunda apenas fragilizaria sua situação mais ainda. Afinal, qual governo gostaria de ser marcado como "aquele do qual até o PMDB fugiu". Sem contar que, para satisfazer seu projeto de política, os pemedebistas certamente se jogariam nos braços do PSB de Eduardo Campos, o que tornaria a situação do PT em 2014 praticamente insustentável.

A solução, ao meu ver, está mesmo no governador de Pernambuco. O PT precisa romper com o PMDB, expulsar os membros dos partidos de seus cargos e buscar Campos. Hoje, ele é o político mais promissor do Brasil, o único que manteve estável sua popularidade após as manifestações, além de ter uma sólida base de apoio no Nordeste. 

Ao dar maior espaço ao PSB, o PT ganha um aliado confiável no Congresso, além de um apoio mais forte em 2014. 

É possível, ainda, estudar a possibilidade de se entregar a cabeça da chapa a Campos, com o PT indicando um vice presidente. Os petistas foram os que mais tiveram a imagem arranhada nos últimos meses, sofrendo horrores com os ataques da mídia tradicional. Talvez um tempo fora dos holofotes seja até bom para o partido retomar o fôlego neste momento.

A única coisa impossível é manter a situação atual, sob risco de morte do próprio PT.

18 de jun. de 2013

Il fiore dei partigiano, morto pela la libertà

Rompo hoje meu silêncio terminal.

O motivo, claro não poderia ser outro.

(Em tempo: começo a escrever esse texto a simbólicas 18:48. A vida tem dessas coisas.)

O motivo, voltando agora ao ponto de partida, deste súbito e inesperado retorno é, como não poderiam deixar de ser, as esplêndidas manifestações que estão dominando o Brasil e o mundo.

Mas eu não vou fazer uma análise detalhada do movimento – até porque tenho plena consciência de que só entenderemos junho de 2013 em junho de 2053 e isso se tivermos sorte – nem as cobrirei dos elogios que merecem, até porque estes se foram todos ontem junto com as lágrimas de alegria que derramei ao ver o Congresso de volta ao Povo.



Este texto se propõe a ser, antes de tudo, um ensaio sobre aquilo que pode vir a ser e, sobretudo, sobre aquilo que não queremos que este movimento se transforme.

Antes de tudo, é preciso deixar bem claro uma coisa: a História brasileira é uma de lutas do povo por seus direitos e também da corrida das elites para sobrepuja-lo e doma-lo, visando manter seus privilégios. A imensa maioria das ditas "revoluções" de nosso país começam com o povo furioso e terminam com um regime autoritário de caráter elitista. Se não na forma, pelo menos na maneira de agir (vide a República Velha). Aqui, as coisas mudam para continuarem as mesmas.

Se formos fazer as contas, vivemos 42 anos de relativa liberdade, de 513 no total. Liberdade plena e irrestrita, de fato, só de 1988 para cá. Nosso maior período democrático foram estes 25 anos entre a promulgação da belíssima Constituição Cidadã e hoje, este exato momento em que eu vos escrevo. E eu temo que eles estejam para acabar.

Não é de hoje que o exército vem se assanhando. Aliás, nossas forças armadas até hoje mantém essa mentalidade golpista. Assim como boa parte da nossa direita não conseguiu abandonar suas raízes da UDN. E a grande mídia jamais perdeu seu gosto pelo poder.

É aí que vivem os monstros. Hoje testemunhamos uma das maiores e mais bonitas ondas de manifestações popular da nossa História e, ao mesmo tempo, se não ficarmos ligados, ela pode virar algo perigoso.

Não pela ação do povo, mas sim por obra das velhas forças que a ele se opõe. A velha mídia já se mobiliza para se apropriar dos protestos. Vemos isso quando Jabor pede desculpas, quando Patricia Poeta justifica a ação da Globo, numa das cenas mais nojentas da tv brasileira, quando Folha e Estadão que incitaram a violência policial num dia vem pedir desculpas no outro, quando a Veja, que sempre se opôs ao que chama de "vandalismo", tenta impor uma pauta ao movimento através de sua capa.

"Nós também não ajudamos a ditadura, não fomos conta o Diretas Já e não favorecemos descaradamente o Flamengo e o Corinthians."

Uma dica: quem num dia quer te ver levando porrada e te chama de vândalo e no outro faz carinho e te apóia, não faz isso por que mudou ou decidiu ficar bonzinho. O que estamos vendo aqui é mais uma tentativa de se apropriar das manifestações de suas reivindicações. Além de afastarem os vinte centavos da pauta, estão o alargando de tudo quanto é forma, incluindo o fim da violência e da corrupção, que são pautas estritamente demagógicas e apenas servem para esvaziar o movimento

O que eu temo, acima de tudo, é que esse movimento belo, popular e democrático se transforme numa  muleta para um golpe. Todos os componentes estão presentes. O exército, a mídia e até grupos sociais relevantes convergem nessa direção. E não me refiro às onipresentes e já citadas elites, mas também à setores da classe média e denominações evangélicas de forma geral.

Não, não os considero o mal do país. Mas é inegável que muitos pastores possuem grande poder sobre suas igrejas e poderiam usar estes expressivos contingentes populacionais como massa de manobra, como, aliás, já tem sido feito em eleições realizadas pelo país. Não nos esqueçamos que um golpe corresponde às expectativas e à retórica de crescimento político de pastores como Macedo e Malafaia. 

Já existem, circulando, relatos e vídeos mostrando agentes do Estado insuflando a violência. A troco de que, não se sabe.

Mas o país atravessa um momento extremamente delicado.

Ainda assim, apesar de meus temores, reitero aqui que ainda acredito na não violência, na paz, na força das grandes passeatas, no diálogo, no entendimento e, sobretudo, no povo brasileiro.

Tenho plena convicção que superaremos esta crise, não pela força das armas, mas pela força de nossas vontades.


18 de mai. de 2013

Por que o Samuel L. Jackson só faz papel de negro?

Antes de entrar no assunto do título, preciso fazer uma consideração inicial: muitos atores ficam marcados por um determinado papel em sua carreira. Aliás, em certos casos, a palavra mais correta seria presos. Desta forma, o Tom Hanks sempre é um cara bem intencionado e meio alheio ao mundo, o Jim Carrey faz caretas, a Dakota Phanning sempre é aquela criança assustadora de filmes de terror e o Samuel L. Jackson sempre é... negro. (WHAT?)

"Say what again mother fucker"
Calma gente, eu explico. Vai demorar, mas eu explico. Eu me pus a pensar muito sobre isso outro dia, quando atualmente me perguntaram o porque do Samuel L. Jackson sempre fazer papel de negro nos filmes em que participa. Minha reação não vem ao caso, importante mesmo são os pensamentos por ela desencadeados.

Para dar prosseguimento ao texto, é necessário lembrar que o racismo está intrinsecamente ligado ao conceito de normatividade. A partir do momento que determinado padrão estético é considerado como o normal, os demais passam a ficar restritos àquela estranha zona cinzenta do "outro", o que explica, inclusive, porque os japoneses sempre desenham personagens ocidentais (spoiler alert: eles não desenham).

Na nossa sociedade, o padrão normativo estabelecido é o homem, branco e heterossexual. Todos os que não se encaixam neste "tipo ideal" são postos para debaixo da sarjeta e sofrem, em algum grau, com o preconceito e limitações impostas pela sociedade em virtude desta sua condição.

O que nos leva a pergunta do título. Não darei a insossa e esperada resposta objetiva, até porque a graça dela é justamente a reflexão que ela nos propõe. O autor da pergunta, obviamente, viu o negro como o papel marcante na carreira Samuel L. Jackson justamente porque ele não está inserido no padrão normativo na nossa sociedade.

A cor negra se destaca tanto no espectro social brasileiro que, aos olhos de meu interlocutor, se torna um fator bom o bastante para definir a carreira inteira de Samuel L. Jackson - ainda que, a meu ver, o adjetivo mais preciso para descreve-lo seja "fodão".

Isso é racismo. Racista não é só o cara que é contra casamentos entre brancos e negros, o skinhead que espanca índios na rua ou aquele seu amigo que anda com capuz branco e tocha na mão de noite. Racistas somos todos nós - sim, eu e você inclusos, meu caro leitor - que interiorizamos e perpetuamos esse sistema perverso que nada mais fez do que humilhar e ultrajar os negros mundo afora.


2 de fev. de 2013

Senador Pedro Taques revela: "Sou torcedor do Botafogo desde criancinha"

Após ser derrotado ontem, depois de histórico discurso no qual afirmou preferir sair derrotado do que vencedor, o Senador Pedro Taques (PDT-MT) deu revelações bombásticas em entrevista exclusiva ao Potemkin.

"Sou botafoguense doente" nos revelou o Senador "havia algo naquela equipe que me chamava atenção, algum tipo de mística, não sei" suspirou ele enquanto lembrava do jejum de 20 anos sem títulos do clube.

Além do futebol, ele nos revelou outras preferências. Seu tenista preferido, por exemplo, é Thomaz Belluci e o filme que ele mais assistiu foi Cidade de Deus "uma pena que não ganhou o Oscar, torci demais, mas acontece né?"

Por fim, ele nos revelou que seu cantor preferido é Mick Jagger, vocalista da famosa banda de rock Rolling Stones.

"Adoro rock. Acompanho diversas bandas, mas os Stones são insuperáveis" finalizou ele.

20 de jan. de 2013

Li ontem no Globo que a Dilma não aceita mais negociar no PMDB.

Tudo bem que a fonte é um tanto questionável, já que não existem gravações, a informação foi obtida por terceiros e Dilma pode nunca ter dito para sua secretária "mandar o Temer a merda porque eu não aguento mais ceder cargos para o PMDB", mas o fato é que não é de hoje que nossa presidenta tem mostrado grande irritação com o crescimento exagerado do PMDB, o mais tradicional partido governista do Brasil, com mais de vinte anos de base aliada.

Esse desentendimento, quando a eleição já bate à porta, só serve para deixar o jogo mais interessante. Afinal, é impensável um governo funcional sem a ajuda de Sarney e cia, que agora exigem presidir as duas casas do Congresso Nacional.

A maneira como Dilma vai manejar os interesses de seu aliado é determinante para suas pretensões políticas. Afinal, se o PMDB não possui um nome com força nacional para fazer frente ao PT nas eleições presidenciais - forçando um pouco a barra a gente encontra o Cabral e olhe lá - eles possuem uma bancada grande o suficiente para tornar a segunda metade do mandato da presidenta uma zona, dificultando muito sua eleição. Principalmente se olharmos a figura de Eduardo Campos, que se agiganta no Nordeste - justamente o mais tradicional dos redutos petistas - e já começa a se tornar um nome de peso para a próxima eleição.

As peças já estão postas e os jogadores estão preparados, mas por enquanto o desfecho é imprevisível. Mas é bom já ir esquentando a pipoca.

10 de set. de 2012

Precisamos de mais anjos

"Ali ele virou uma espécie de anjo vingador. Um anjo preto, zangado, irritadiço e sempre à beira de um ataque de nervos." 

Essa frase, retirada da coluna de hoje do Noblat, é uma definição da repercussão do papel de Joaquim Barbosa no julgamento do Mensalão. Mas, sem querer, o colunista do Globo dá uma aula sobre como funciona o racismo no Brasil.

Observemos que, após qualificar o Ministro como anjo, ele acrescenta algumas características que, da maneira como está escrito, parecem não ser as que lhes são normalmente atribuídas. Dentre elas, negro.


"Não sou racista. Tenho quatro amigos negros."
Antes de prosseguir, quero deixar algo bem claro: este texto NÃO é muito menos pretende ser uma apologia ao racismo, nem desejo acusar o Noblat de ser um nazista ou algo do gênero. Estou apenas tentando fazer uma análise dos acontecimentos.

E o fato é que nós somos absurdamente racistas. Mas nosso racismo não é daquele tipo honesto e escancarado. É um segredo guardado a sete chaves. É racismo do cara que diz que claro que não, que absurdo, não sou racista, tenho até um amigo negro com a maior naturalidade, como se ter algum amigo negro fosse algo absolutamente incomum e inusitado.

É um racismo que só vem a tona quando, ao descrever um anjo, precisamos frisar que ele é negro, porque, se não o fizermos, ninguém vai perceber. E esse tipo de comportamento está tão enraizado em nossa cultura que nós nem nos damos conta de que o repetimos na maior parte do tempo. Inclusive, muitos dos que lerem este texto vão achar que eu estou ficando maluco e vendo coisas. Alguém poderia dizer, para contrapor meu argumento, que nunca viu uma imagem de um anjo negro representada em lugar nenhum, ao que eu responderia, como qualquer pessoa sensata, que isso é só mais uma evidência gritante do óbvio: a sociedade brasileira é racista.

E não apenas somos racistas como, num perfeito caso de esquizofrenia coletiva, negamos com veemência nosso racismo e desenvolvemo um agudo preconceito contra pessoas racistas. É um mecanismo de auto-defesa, na medida em que o racismo que enxergamos nos outros absolve-nos da nossa própria visão racista de ver o mundo. Aliás, onde escrevi esquizofrenia, poderia muito bem estar escrito hipocrisia que o texto não perderia muito em sentido.



Basta apenas recordarmos daquela pesquisa que mostrou que, embora cerca de 95% dos brasileiros não se considerassem racistas, um número ainda maior disse conhecer alguém racista. Provavelmente devem ter visto algum racista andando na rua alguma vez mas assim, bem de longe, porque eu não tenho nada a ver com isso.

O que torna o racismo tão difícil de ser erradicado no Brasil é justamente seu caráter sigiloso, agravado pela recusa dos brasileiros em admitir que tem algo de podre no meio da democracia racial. E a admissão de um vício, como se sabe, é o primeiro passo para sua superação.

7 de set. de 2012

Pode ser

Há 190 anos atrás nascia meu improvável país.

Improvável já em seu estágio embrionário. Reza a lenda que só fomos encontrados graças a um desvio acidental de percurso. Mesmo que a historiografia moderna refute nosso mito original com fatos, eu peço licença aos historiadores para rejeitar suas descobertas.

Conforme prosseguíamos, os acidentes continuavam aí. Nos empurrando para cima e para baixo, para o interior, para além do Tratado de Tordesilhas.

Até que de um enorme acidente culminou nossa independência. Uma guerra em outro continente fez com que a colônia virasse reino, depois colônia de novo. Finalmente, veio o mais famoso brado da História e, com ele, éramos um Império.

Improvavelmente, continuamos unidos. Apesar de todos os movimentos separatistas, que tiveram longa duração. Aliás, sentimentos separatistas subsistem até hoje. Mas nós continuamos aqui, firmes e fortes.

A Abolição e a República foram dois acidentes friamente calculados. E com o advento das teorias eugenistas, a Europa, e parte da nossa elite, gritavam aos quatro ventos que um país com tantos negros, índios e brancos vivendo juntos resultaria na degradação das três raças. Não naufragamos ainda, mas a verdade é que só agora estamos começando a esquecer os preconceitos, mesmo que durante anos nós tenhamos acreditado que éramos especiais e, de alguma forma, imunes ao racismo.

Aliás, hoje nossa nação vive um momento muito interessante de transição. Cada vez mais o improviso saí de cena e o planejamento começa a surgir, num movimento que, ironicamente, não foi programado por ninguém.

Se dará certo ou não, ninguém pode dizer. Mas é melhor não duvidar.

3 de set. de 2012

Num piscar de olhos

Eu queria saber como os atletas paralímpicos brasileiros conseguem medalhas. Aliás, como eles conseguem sequer os índices para serem aceitos na competição. Afinal, já é do conhecimento de todos que o esporte no Brasil, exceção feita ao futebol, é algo relegado a segundo plano em nosso país. E como se o descaso não fosse o suficiente, eles ainda tem que encarar, digamos, obstáculos extras. Pernas, por exemplo.


Conheça Alan Fonteles. O que ele fez para merecer uma imagem gigante no meio desse post? Ganhou uma medalha. De ouro. Nos 200 metros rasos. Competindo contra Oscar Pistorius. Sim, a lenda. O Bolt das Paralimpíadas. O primeiro paralímpico a competir em uma Olimpíada. Atropelado pelo rapaz que corria com próteses de madeira na infância. 

Quando eu digo atropelado, não é uma forma de me expressar. Tal qual um BRT humano, Fonteles imprimiu uma aceleração sobrenatural e passou com facilidade por Pistorius e mais uns dois ou três competidores no seu caminho para uma incontestável vitória. 

Mas o que mais me chamou a atenção foi a cena que seguinte. Após cruzar a linha de chegada, o novo campeão renunciou as dancinhas de praxe e foi comprimentar, um por um, seus concorrentes. Inclusive Pistorius, ganhador da medalha de prata, que havia posto em questão a capacidade do atleta brasileiro.

Ato que mostra a elegância e sobretudo a humildade de um homem que trabalhou duro para chegar ao topo e que, não somente reconhece o valor de seu esforço, como também reconhece o esforço dos que foram derrotados.

A ele, todos os elogios serão poucos. Alan hoje é uma lenda, mesmo que rejeite este rótulo. É um grande exemplo de superação, de garra e de tantos outros adjetivos que, de tão escassos, já viraram lugar comum. 

Alan é um campeão nato. E merece todas as congratulações possíveis

24 de ago. de 2012

Sempre cabe mais um(a)

Naquilo que pode ser o início de uma grande revolução ou mais um daqueles casos que esqueceremos em um mês, um relacionamento poligâmico foi reconhecido como união estável em um cartório da pequena cidade de Tupã, no interior de São Paulo. Ok, nunca fui a Tupã e não a conheço, mas estou assumindo que é uma cidade pequena por estar no interior. Se bem que o interior de São Paulo tem umas cidades bem grandes.

Tamanho a parte, a outrora desconhecida cidade mostrou uma vocação para grandeza, encarnada na corajosa ação da tabeliã Claúdia do Nascimento Domingues. Afinal, se aqui no Rio é algo difícil de ser aceito, imaginem em Tupã.

Muitos agora devem estar me tomando por um entusiasta da poligamia. Peço um minuto de leitura antes que começam a falar que eu sou um pervertido, tarado ou coisas do gênero. Eu, particularmente, nunca estive em um relacionamento poligâmico. Confesso sentir, como muitos, um grande estranhamento ao pensar que mais de duas pessoas podem compartilhar a mesma relação ao mesmo tempo. Normal, fui criado numa cultura monogâmica, por pais que tem um casamento estável, cercado de pessoas que vivem em relacionamentos a dois.

Mas o nosso estranhamento não deve servir de parâmetro para os demais. Não acho que seja correto simplesmente dizer, como já ouvi por aí, que é uma orgia e não deve ser tolerada. Ou, pelo menos, não oficializada.

Uma coisa que eu pensei muito quando li essa decisão foi nos muçulmanos. Afinal, como já é sabido, um homem muçulmano pode casar-se com até quatro mulheres ao mesmo tempo, contanto que seja capaz de sustenta-las. Como fica a situação civil deles? Confesso que não sei. Se o marido fosse juiz, por exemplo, como se dividiria a pensão?

Ainda estamos engatinhando nesse campo e acredito que muito deverá ser feito em termos de legislação e jurisprudência para que esta situação seja devidamente regularizada. Mas estamos no caminho certo, e isso é muito importante.

23 de ago. de 2012

Recentemente, e com uma grande repercussão, o Senado aprovou um projeto de lei que prevê 50% de cotas para alunos pertencentes a minorias ou oriundos da rede pública. Confesso que não abordei previamente este tema por pura preguiça, mas como estou atualizando o blog diariamente agora, pareceu-me oportuno voltar a este assunto hoje, assim como fatalmente deverei escrever textos sobre outros eventos passados que, pelo mesmo motivo, ainda não foram postos no papel. Ou na tela pixelada ou algo assim.

Enfim, falta de assunto a parte, voltemos as cotas. Entendo que é um assunto terrivelmente polêmico e que desperta as paixões alheias, afinal, toca numa questão pessoal para muitos de nós, que é o mérito. A meritocracia, se existisse, deveria sim ser preservada.

Muitos dos meus leitores agora devem ter pensado: Se existisse, porque agora com as cotas não existe mais. É um pensamento muito atrativo, mas é um grande engano. Não existe meritocracia porque simplesmente não existe uma competição justa. E é aí que entram as cotas.

Elas não existem para dar vaga para vagabundo, como muitos dizem, mas para corrigir uma injustiça inerente ao sistema, que é o fato dos alunos de escolas públicas não terem acesso a uma educação de qualidade. Muito do meu mérito em ter passado para a faculdade é, na verdade, do meu pai que sempre se esforçou para pagar boas escolas para mim, algo que nem todos tiveram.

Constatada a óbvia diferença de condições, não se pode falar em meritocracia no Brasil, pois não existe uma competição justa.

Lógico que apenas as cotas não são o suficiente. A cota é um mero paliativo. Insistir apenas nas cotas, como deseja o governo, é errar duas vezes. A primeira é por não solucionar definitivamente o problema, a segunda é por instalar uma sensação de que o problema foi resolvido. Atuando como placebo, as cotas não serão capazes de reduzir essa injustiça inerente ao sistema, mas sim irão amplia-las e aprofunda-las.

A solução ideal para mim seria que o governo se comprometesse a investir mais na educação, com um prazo fixo para o fim da política de cotas. Organização é crucial para esse tipo de investimento.

Também me parece certo que o governo não imponha nada as universidades de maneira direta, como foi feito agora, uma vez que fere a capacidade de autodeterminação destas. Poderia ser incluída na lei uma recompensa financeira para as universidades públicas que cooperassem. Do jeito que elas estão quebradas, ia fazer um grande sucesso.

O que me parece bem difícil quando a gente vê o Ministro da Fazenda dizendo aos quatro ventos que o investimento em educação vai quebrar o Brasil. Com esse tipo de pensamento pequeno, parece que nos limitaremos a dar um jeitinho e deixar por isso mesmo.

Uma pena.

21 de ago. de 2012

Não é dos carecas que elas gostam mais

Acabo de ser surpreendido com a notícia de que o Serra possui o maior índice de rejeição entre os candidatos a prefeito de São Paulo, com inacreditáveis 38% de... sei lá... ódio eleitoral. O que meio que comprova para todo mundo que ele já morreu para a política.

Mas se já tínhamos uma vaga noção do falecimento do político José Serra, porque exatamente essa notícia seria uma surpresa? Simples: estamos falando de São Paulo.

Para os que não sabem, São Paulo é um tradicional reduto do PSDB, visto por muitos como uma fortaleza inexpugnável. Uma espécie de Morro do Alemão da oposição. E foi justamente essa posição da autodenominada Locomotiva do País que levou o intrépido ex-presidente Lula a se embrenhar na selva de concreto armado apenas com um Haddad, que é um tipo de Dilma piorada, numa heróica tentativa de quebrar o monopólio tucano em São Paulo.

Monopólio este que ameaçada ser quebrado por ninguém menos que o improvável Celso Russomanno, do praticamente inofensivo PRB, do qual eu confesso nunca ter ouvido falar antes. Ele que outrora fora comparado a um cavalo paraguaio, um elefante no alto de um poste e, mais ultrajante ainda, ao Haddad, agora lidera as pesquisas com 31% de intenções de voto e um dos menores índices de rejeição por parte dos eleitores. Ou seja: ele vai crescer.

E crescendo, provavelmente vai enterrar de vez o Serra que, como se sabe, precisa ganhar essa eleição para se manter vivo na política. Na provável hipótese de derrota, ele provavelmente será forçado a se aposentar. Mas o que seria ruim para ele poderia se provar algo excelente para o PSDB, que teria em Aécio Neves nome incontestável para disputar as próximas eleições presidenciais. Livre das disputas internas, o único tucano com envergadura suficiente para vencer a Dilma, teria reais chances de chegar ao Planalto.

Mudando um pouco  foco: não seria lindo se Russomanno e Freixo ganhassem as eleições municipais que disputam? Ver as prefeituras das duas maiores das cidades do país nas mãos de partidos nanicos seria um alívio nos dias de hoje, em que vemos a política monopolizada pelo binômio PT/PSDB (sempre acompanhados do PMDB) e, quem sabe, uma promessa de vôos mais altos em 2014.

1 de ago. de 2012

Existem certas coisas que o dinheiro não compra. Márcio Thomaz Bastos acaba de descobrir isso da pior maneira possível.

Há alguns meses atrás ele foi contratado por fabulosos 15 milhões de reais para defender o notório contraventor Carlinhos Cachoeira. Na época, houve grande estranhamento e o criminalista mais caro do Brasil, e provavelmente do mundo, viu-se coberto de críticas por todos os lados.

Afinal, não pegava bem para um ex-ministro da Justiça defender um contraventor cujas primeiras acusações, inclusive, datam de seu mandato no Ministério. Aposto como não fui o único que se questionou acerca da idoneidade das relações entre defensor e acusado. Até o presente momento nada nas investigações confirma estas suspeitas e minha língua está devidamente queimada.

Mas todo o resto está ruindo. A começar pela reputação de melhor criminalista do Brasil. Afinal, ele não conseguiu passar um único habeas corpus em favor de seu cliente nestes cinco meses! Em que pese a dificuldade do caso, é uma marca expressiva para o advogado que é (era) considerado o melhor criminalista brasileiro.

Márcio Thomaz Bastos afirmou estar impelido pelo desafio que seria defender Cachoeira. Não estava. Sua maior motivação, como já parecia óbvio naquela época, foi financeira. Mas o seu principal prejuízo não foram os 10 milhões de reais que ele deixará de receber, mas sim a marca indelével que o caso Cachoeira deixa em sua carreira.

Você contrataria um advogado caríssimo sabendo que ele abandonou seu último cliente à sorte? Eu não.

Em tempo: do jeito que o caso Cachoeira tem deixado um rastro de sangue em Goiás, toda a cautela do Mundo é recomendada ao ex-ministro.




7 de fev. de 2011

Penas alternativas para crimes alternativos

  Muito se foi dito sobre penas alternativas. Fala-se da necessidade delas para reduzir a superlotação carcerária, desencorajar crimes sem o uso da força bruta, reabilitar prisioneiros e, é claro, divertir os cidadãos que estão dentro da lei. Pensando nisso tudo, o Potemkin orgulhosamente apresenta penas alternativas perfeitamente viáveis para o nosso país. É claro que elas só funcionam se devidamente aplicadas, ou seja, nada de ficar passando a mão em cima de bandido!

1) Baseado no famoso Método Ludovico do clássico Laranja Mecânica, mas com um algo a mais capaz de tirar qualquer um do sério.



2) Alistamento obrigatório
Uma excelente idéia. Certos crimes, a partir de agora, serão passivos de alistamento obrigatório, com o criminoso mandado para zonas de guerra/missões de paz/morros cariocas. Desta maneira, o Brasil poderá manter sempre um alto contingente na ativa e se morrer,bem, aí vale como pena de morte.

3) Anderson Silva
Seguindo o princípio da reciprocidade, essa é a pena ideal para playboys metidos a lutadores profissionais e outros tipos de espancadores que andam em grupo. Três rounds solo no octógono com Anderson "Spider" Silva devem ser o suficiente para demover qualquer um de sair por aí dando porrada a torto e a direito, além de imobilizá-los por alguns meses. Não conhece Anderson? Não tem problema, assista abaixo o que ele é capaz de fazer.


4) Ler para os surdos
Uma ação de caridade. Os surdos, coitados, não podem ouvir audiobooks, por isso o delinquente seria forçado estimulado a ler Crime e Castigo até que todos os surdos decorassem o nome e as caracteristícas de todos os personagens. Sem ajuda, é claro.

5) Polichinelos eternos
Quem gosta de pagar polichinelos? Ninguém é claro. A adoção dos "polichinelos eternos" se basearia em uma matemática simples: Cada ano de cadeia equivale a 500.000 polichinelos. Detalhe importante: eles tem que ser feitos em uma sequência initerrupta e caso o preso se canse, ou o "contador de polichinelos" perca a conta, tudo recomeça.


Queria aproveitar para agradecer a contribuição do amigo Alcidess, que já é velho conhecido dos meus leitores e de vez em quando da uns pitacos e o Godinho, que não tem blog nem nada, mais é um leitor fiel e sempre me dá os parabéns quando gosta de um texto. Valeu pessoal!

31 de jan. de 2011

Que vilão seria seu (ex) presidente favorito?

Queria esclarecer alguns detalhes. Eu só vou lidar com os presidentes eleitos de 85 para cá. Não tenho tempo para fazer um levantamento de todos os presidentes do Brasil (mas se me pagarem eu aceito). No final, uma surpresa e uma "homenagem" aos políticos. Sem mais delongas, eis aí meu texto!

José Sarney: Provavelmente o mais fácil. Sempre por cima, sempre no poder, há mais de 50 anos apoiando o presidente, qualquer que seja. Um homem como esse acumula muito poder. E pelos métodos que ele emprega, podemos facilmente compara-lo a... Don Corleone. Isso mesmo, o Poderoso Chefão. Um homem que sabe escolher seus aliados, compensá-los com favores e punir seus inimigos. Graças a essa capacidade o Don Corleone tropical chegou novamente ao comando do Senado e é praticamente impossível governar sem tê-lo como aliado. Azar da Dilma.

Fernando Collor: Um homem ambíguo. Por um lado, foi um presidente radical. Chegou ao poder com a alcunha de "caçador de Marajás" e uma imagem de cara super legal. Um presidente jovem e esportista que falava de igual para igual com os líderes das outras nações. Sua política econômica foi revolucionária e continua valendo até hoje. Por outro lado, roubou até cansar e depois roubou mais um pouquinho, mas cometeu o erro crasso de não dividir o butim com o resto do pessoal, mas sim com uma minoria seleta. Como resultado, tomou um impeachment, após ver a juventude brasileira tomar as ruas contra ele. Para um personagem tão ambíguo, ninguém melhor que Harvey Dent, o duas caras do Batman. Como promotor, foi aclamado herói de Gotham City e prometia revolucionar a cidade e pulverizar os indíces de criminalidade. Porém, após virar o Duas Caras, ele vai contra toda a sua luta apenas para aumentar o número de hóspedes do asilo Arkham e, quem diria, passa a ser odiado por quem outrora o idolatrava.

Itamar Franco: Ah, grande Itamar, que trabalho você me deu. Foi díficil arranjar um vilão que encaixasse no perfil de Itamar, mas por fim eu consegui. Itamar Franco, apesar de ter sido presidente durante o lançamento do Plano Real, não ficou com os louros da vitória. Essa parcela coube ao FHC, então Ministro da Fazenda. E até hoje, Itamar é mais lembrado pelo seu topete, assim como o obscuro Síndrome, do filme Os Incriveís (dica do Alcidess). Na história, Síndrome é um mega-gênio não reconhecido que tenta acabar com os super-heroís para finalmente obter reconhecimento. No final da história, restou apenas seu topete

FHC: O princípe dos sociólogos. Um cara rico, elegante, bem sucedido. Todos apostavam alto no governo FHC, que havia acabado de lançar o plano real. O governo foi até bom considerando o turbilhão que se passava no mundo, mas deixou a desejar justamente no quesito que todos esperavam: honestidade. Todos sabemos que politíca não é jogo de virgens, mas FHC destruiu de uma maneira inimagínavel assim como o... Duende Verde. Supervilão do Homem-Aranha, é na verdade um garoto rico, inteligente, bem-sucedido e com um belo emprego e crédito internacional que não o impediram de explodir coisas.

Lula: Um vilão improvável, dado ao seu histórico. Todos acreditaram que ele ia "entrar para somar", reequilibrar a balança do poder e acabar com a corrupção. Mesmo sendo corrupto igual aos outros, se "redimiu" ante a população com o Bolsa-Família e entrou para História como herói, assim como... Darth Vader. Vader é com certeza o vilão mais famoso da História do cinema. A Marcha Imperial causa arrepios em nove de cada dez nerds. Mas como Lula, ele não nasceu para ser vilão. Anakin Skywalker era o escolhido, que deveria destruir o lado negro e trazer equilíbrio à Força. Além de possuir a mesma voz de Lula, ele também se redime, embora para valer, matando o Imperador. Sem contar a famosa frase: "Dilma, eu sou seu pai."

Dilma: Eis aqui a surpresa! Vou traçar um perfil de Dilma Roussef. Inflexível, nossa dama de ferro não aceita critícas de seus subordinados e não hesita em fritar quem a desafia. Impossível esquecer que ela fez Sérgio Gabrielli, da Petrobrás, chorar, por exemplo, quando era "apenas" Ministra da Casa Civil. Seu temperamento lhe rendeu alcunhas como: Dilmandona, Dilmachona e Larry. Sua maneira de tratar os subordinados e a decisão com a qual galga degraus mais altos na escala de poder lembram... Victor Von Doom, o Dr. Destino, do Quarteto Fantástico. Obcecado pela idéia de poder, sempre foi um chefe inflexível e após adquirir seus sinistros poderes, não hesitou em fazer picadinho dos que não concordassem com ele.

E, embalado pelo som viciante dos Titãs, eis aqui minha pequena homenagem aos nossos queridos politícos que tanto lutam por nós na Câmara. Boa noite e espero que tenham gostado

24 de jan. de 2011

Corrupção: Transformando o crime em oportunidade

Ano novo, governo novo, vida que segue, tudo continua na mesma, até os corruptos são os mesmos, com exceção talvez de uma ou duas caras novas que lutam para sobreviver neste mundo selvagem que é o Congresso.

Mas o que fazer para acabar com esse crime nefasto que assola o nosso país do Oiapoque ao Chuí? Não se desesperem meus caros leitores, pois eu, após muito filosofar sobre o tema, trago aqui a solução definitiva para o crime de corrupção no Brasil. Preste atenção Dilma, porque se você seguir a risca esta cartilha, em pouco tempo eliminará a corrupção do nosso país e certamente entrará para a História da nação.

O primeiro passo é o mais óbvio e lógico. Descriminalizar a corrupção. Se não é crime, não pode ser considerado fora da lei, portanto não é mais passível de punição. E ainda por cima abre caminho para uma exploração mais diversificada dos lucros da corrupção. Além do mais, estaremos valorizando algo em que somos bons! Imagine só o orgulho de dizer que vêm de um país em que a corrupção é o hobby nacional. Seremos vistos como inovadores ao redor do globo e passaremos a ocupar uma posição deveras vanguardista quando o assunto é corrupção, tal como a Holanda quando o assunto são drogas. Imagine cidades inteiras crescendo com os investimentos gerados por essa (futuramente) legitíma atividade comercial! Imagine o orgulho de entrar em uma cidade e ver o letreiro: "Cidadepólis" capital mundial da corrupção. Como isso fará bem ao tão mal tratado ego do brasileiro. E isso é apenas o começo

 Pensem comigo caros leitores: toda a atividade legalizada arrecada impostos. E é exatamente essa a parte mais genial do plano: Imagine quanto dinheiro não será arrecadado para os cofres públicos através de impostos cobrados dos corruptos! Quanto mais corriqueiros os escândalos forem se tornando melhor, pois a arrecadação de impostos subiria sem a necessidade de sobrecarregar outros setores, beneficiando o país todo em todas as esferas. Por exemplo, imagine quanto o Maranhão iria lucrar com o Sarney se o ICMS fosse cobrado no Estado de origem? Ou ainda, como seria prático ter a nota fiscal de um deputado comprado à mão para o caso de ter um defeito? E, maravilha das maravilhas, isso permitiria reduzir as taxas de outros setores sem reduzir o padrão de vida dos "marajás".

E, conforme a situação fosse ficando mais sofisticada, poderia até ser criado um Ministério da Corrupção. E este teria a vantagem de poder ser ocupado por praticamente qualquer nome de qualquer partido, pois o que não falta são especialistas e técnicos. E falando em especialistas e técnicos, porque não uma estatal? A "Corruptobrás" poderia, em pouco tempo, se tornar o maior centro de emprego para parentes no Mundo! E com pesado investimento em tecnologia e pesquisa avançada da corrupção, somado ao nosso "know-how" e natural inclinação à malandragem, em pouco tempo seriamos uma super-potência na exportação de "tecnologia da corrupção" e líder deste segmento comercial que só fara crescer conforme outros países se juntem a revolução!

Como podem ver, o sistema é auto-suficiente! Não tem como errar! É só "liberar geral" e deixar as coisas irem acontecendo para ver como o Brasil iria disparar.

Para o Brasil entrar em uma era de prosperidade nunca antes vista basta apenas um pouco de bom senso e vontade de fazer o óbvio. Não podemos mas ficar sentados esperando o bonde da História passar. A hora é agora.

20 de jan. de 2011

#chegadebabaquice

O Twitter tem dessas coisas não?  De vez em quando as pessoas acham que podem mudar o mundo com uma tag. E volta e meia temos um #forasarney ou #nomalaria. O mais recente é o #naoaoaumentodosdeputados.

Aparentemente as pessoas acreditam que o simples fato de você digitar a tag está ajudando a mudar o mundo. Na verdade, isso ajuda tanto quanto coçar as costas: nada, mas dá uma sensação boa.

E dá uma sensação boa por alguns bons motivos: em primeiro lugar, você realmente acredita que está fazendo alguma coisa, o que é muito bom. Depois, todo mundo acha que você está fazendo alguma coisa e as pessoas adoram aparecer. E finalmente, se sentir parte de um grupo em que todos partilham dos mesmos ideiais e creem firmemente em uma revolução é algo que não tem preço.

Tomemos o exemplo do #naoaoaumentodosdeputados: a operação foi tão mal planejada que só entrou em vigor após a votação dos salários, ou seja, quando ainda não resta mais nada a ser feito. Isso não funcionaria mesmo que o Twitter inteiro fosse protestar em Brasília antes da votação, funcionará muito menos agora que já passou. Mas mesmo assim todos participam felizes e contentes e se sentindo parte de algum tipo de motim.

A única maneira realmente efetiva de se mudar o Congresso é entrando lá armado. Como eu acredito que isso não vá acontecer em um futuro próximo (e futuro nenhum espero) é preciso agir de maneira eficaz para evitar pelo menos um maior estrago.

Isso se dá através da informação e do voto. O protesto chama a atenção, mas é pouco eficaz. A melhor solução é termos uma população que se informe sobre escândalos e projetos e dê o troco aonde dói mais: no bolso, votando contra.

Enquanto não tivermos isso, não vai ter Twitter que dê jeito.

19 de jan. de 2011

Governo anuncia novo projeto social

Inspirada nos diversos avanços sociais promovidos por seu mentor, o ex-presidente Lula, a presidente da república Dilma Roussef anunciou ontem a criação de um novo projeto social visando a inclusão dos mais necessitados: o Bolsa ex-bbb.

O projeto visa atingir um grupo terrivelmente marginalizado: os ex-bbb's. Produto de uma sociedade consumista cada vez mais voraz, são poucos os que conseguem sobreviver ao duro mundo pós-casa. O projeto visa auxílio psicológico e financeiro para este grupo tão numeroso e desprotegido.

A idéia surgiu após verificarem o estado de abandono em que se encontravam os mesmos após o programa, conta Zélia Rodrigues, diretora da ONG Viva Ex-bbb: "Eles chegam aqui devastados, sem rumo, deprimidos. Eram pessoas marginalizadas. Era dificilimo tratar de uma reabilitação, mas nós esperamos que agora, com a ajuda do governo, tudo fique mais fácil".

O programa consiste em uma ajuda financeira no valor de R$ 10.000,00 mensais, residência em área nobre da grande capital à escolha, auxílio moradia, auxílio telefone, auxílio psicólogo e auxílio pensão alimentícia (para os que precisarem). Fala-se também em uma entrevista mensal em programas de tv aberta e especula-se que o Governo esteja negociando com o Superpop.

Sobre o assunto, falou ontem a presidente: "Não pergunte o que um ex-bbb pode fazer por você, mas sim o que você pode fazer por um ex-bbb".

1 de dez. de 2010

Governo anuncia leilão de cargos

Cansado dos impasses em torno da divisão de cargos que toma conta da atual transição, o Governo Federal decidiu tomar uma decisão ousada: anunciou que vai por a leilão os cargos restantes.

Ao contrário do que está acontecendo agora, este leilão será aberto ao público em geral, bastando apenas comprar o cargo com seu dinheiro, ganhando o ministério aquele que fizer a maior oferta. O Governo ainda não estabeleceu o limite para ministérios que cada presente poderá levar, mas especula-se que gire em torno de três.

A data e o local do evento serão divulgados em momento oportuno.

19 de nov. de 2010

Governo anuncia nova lei de cotas

O governo federal anunciou hoje um projeto de lei que reserva 20% das vagas para pessoas verticalmente prejudicadas. De acordo com o porta-voz do Palácio do Alvorada, o projeto é importante pois "viabiliza a correção de preconceitos históricos direcionados a um grupo de pessoas que por ano só encontrava alternativas de trabalho em circos, sinais e passeatas" além de proporcionar 'um convívio mais amplo e diverso dentro do ambiente dos campus das escolas públicas"

A notícia foi comemorada dentro de ONGs que lutam pela igualdade vertical. Na Onevert (Organização pela equalização vertical) houve até festa. Foi uma grande conquista, como nos explica a fundadora da organização, Eunice Costa: " Foi um projeto muito feliz do governo. É importante esclarecer as pessoas sobre o prejuízo vertical, porque, as pessoas imaginam que existem apenas (pessoas) verticalmente deficitárias, mas o prejuízo vertical se dá também em um âmbito superavitário".

De acordo com o projeto, serão consideradas verticalmente prejudicadas as pessoas com mais de 2,10m e menos 1,10m. "Mas nossa luta não para por aí. Com maior visibilidade, agora poderemos lutar por assentamos mais ajustados em ônibus e carros, por exemplo" diz Eunice.

O Movimento contra o prejuízo vertical tem ganhado cada vez mais visibilidade na mídia e a tendência é, que com o tempo, as injustiças históricas contra esse grupo minoritário sejam corrigidas.

"O Brasil hoje é a vanguarda no combate ao prejuízo vertical!" comemora Eunice, 0,87m.