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19 de dez. de 2016

Lavou tá novo

Temer não termina o mandato.

Pronto, falei. A experiência ensina que não sabendo como introduzir, de forma lenta e gradual, um assunto qualquer, às vezes é melhor jogar ele como uma bomba no colo do leitor e deixar ele explodir no colo do leitor. Bom, o assunto taí: Temer não termina o mandato. Não chega até o final do ano que vem como presidente.

Ah, Zé, porque você acha isso? Eu não acho, tenho certeza absoluta que ele vai tomar uma rasteira e cair (que coisa né?). Sério, se eu tivesse cem reais eu apostava os cem reais que o Temer cai e embolsava a grana feliz ano que vem. 

Para explicar, vamos começar do começo. Não, não de agosto. Nem de março. Mais do começo. Pensa em século XV, mais ou menos. Florença, no local que hoje convencionamos chamar de Itália. Lá viveu e trabalhou um dos grandes mestres que tive e dos maiores pensadores da humanidade: Nicolau Maquiavel. (Obs.: Eu não brinco quando digo o quanto admiro o fiorentino, eu tenho um busto dele no meu quarto.) Lá ele escreveu algumas das mais influentes obras do pensamento ocidental - que são muito mal lidas, por sinal, mas isso é assunto para outro dia - entre elas o seu mais famoso ensaio: "O Príncipe". 

Basicamente, colocando de forma muito simplista, Maquiavel faz uma análise acerca do processo de formação dos principados. O caráter revolucionário da obra se dá por colocar a fundação dos Estados em um plano imanente - ou seja, originado através das ações dos homens - em oposição às teorias políticas da sua época, que a colocavam em um plano transcendental, baseado principalmente na ação divina. Mas esse também não é nosso foco. Como forma de agradar os Médici, família que governava Florença quando o livro foi escrito, Maquiavel colocou nele diversas "dicas" de como tomar e manter o poder. Um dos pontos que ele aborda é justamente a forma como se dá a chegada do governante ao poder. 

De forma muito resumida, o que ele diz é que existem duas formas de se chegar ao poder: ou você chega lá pelos seus méritos próprios - ou, como ele diria, pela sua "virtu" - ou você chega lá pelos méritos de outra pessoa, que te colocou lá. Os que chegam da primeira forma tem muito mais capacidade de permanecerem no poder através dos momentos de crise por dois motivos: além de terem as características que os levaram ao poder e que tendem a mantê-los nele, contam com a legitimidade adquirida perante os seus pares para permanecerem em seu posto. Já os que pertencem ao segundo grupo ficam eternamente presos àqueles que os colocaram no poder, eternamente com medo de serem removidos, pois não possuem nem as virtudes necessárias para a permanência do cargo e tampouco legitimidade perante seus pares (e o povo) para exercê-lo. 

Por isso, antes de continuarmos, é importante que a gente se lembre de como o Temer chegou no poder: ganhando com larga margem de votos as eleições presidenciais ainda no primeiro turno. Não, na verdade ele chegou lá com amplo apoio do Congresso depois de um processo de impeachment no mínimo controverso. Como vice de uma presidente que também não chegou lá por méritos exclusivamente dela. E já começou o mandato odiado pelo povo. 

Ah, mas Zé, ele já não tem a confiança do Congresso? Bom, mais ou menos. Não custa lembrar que a Dilma revoltou os seus pares (e o povo brasileiro) por ter feito uma quantidade colossal de merdas enquanto presidente. O Temer entrou porque era vice, mas ninguém nunca apoiou o Temer. A bandeira sempre foi o fora Dilma e não o vem Temer. Em outras palavras: se no lugar dele fosse um sorvete de flocos na linha sucessória, nós teríamos hoje o primeiro laticínio a ocupar a presidência da República.

Bom, mas pelo menos ele não tem vice que o derrube, certo? Sim, mas contra ele pesa a Constituição Federal, que estabelece que, nos últimos dois anos do mandato, caso presidente e vice não possam ocupar o cargo deverão ser realizadas eleições indiretas. Ou seja, o presidente será escolhido pelo Congresso Nacional, o mesmo grupo que colocou o Temer lá. E olha, eles não estão nada satisfeitos.

Dois sinais recentes me chamaram muito a atenção: o primeiro foi entrevista do Caiado, do DEM, dizendo que o Temer deveria renunciar o mandato para que ocorram novas eleições. Lembrando que estamos falando de um dos principais líderes do partido que sempre foi oposição ao PT e apoiador de primeira hora do impeachment. O outro foi a decisão do Senado de barrar uma PEC que previa eleições diretas caso presidente e vice não possam assumir o caso. Me parece, no mínimo, algo feito com segundas intenções. 

Não custa lembrar que, além de já existirem dois pedidos de impeachment contra o Temer, ano que vem teremos eleições para a presidência das duas casas do Congresso, o que pode mudar o tabuleiro político e deixar o atual presidente (ainda mais) acuado. Além disso, paira ainda o pedido de cassação de chapa no TSE, presidido por Gilmar Mendes, ministro reconhecido por pautar o seu trabalho pelas suas pretensões políticas. 

Com sua base de apoio no Congresso cada vez mais instável, odiado pela população e acuado por um processo judicial, Temer vai começar 2017 com muitas dúvidas e uma verdadeira missão impossível: terminar o ano no mesmo cargo em que começou.

1 de ago. de 2013

Até que a morte os separe

Tudo nasce, cresce, se reproduz e morre. É o chamado ciclo da vida. Vale pra tudo. Tudo mesmo. Do cão abandonado na rua àquela pizza que você pediu as três da manhã. Infelizmente a pizza não vai se reproduzir mas o espírito é esse: surgir e desaparecer.

Da mesma forma, já está mais do que na hora do PT dar um sumiço nessa aliança com o PMDB. Os efeitos sentidos já são mais do que negativos. Aqui no Rio, por exemplo, Dilma vem surfando na onda de popularidade negativa do Cabral e caindo vertiginosamente nas pesquisas. O que não é muito legal, considerando que o Estado é o terceiro maior colégio eleitoral do Brasil. 

Não é de hoje que Dilma sofre nas mãos do partido, que mais parece da oposição do que qualquer coisa. Mas os entraves colocados pelo partido, em seu voraz apetite por cargos, vão se intensificando com o passar do tempo. Vide Eduardo Cunha que, cumprindo o que prometia, causou mais transtornos à presidência ao propor uma PEC que reduz para 20 o número máximo de ministérios. Adiantando: sou contra, não pelo teor da proposta, mas pelo fato de considerar essa uma decisão administrativa que cabe somente ao Poder Executivo.

O horizonte petista para 2014, que até dois meses atrás prometia ser tranquilo, se torna cada vez mais negro, conforme se aproximam as nuvens da tempestade e se ouve, de longe, o ecoar dos trovões.

O momento requer, acima de tudo, coragem para abraçar a loucura. O país, dizem, se tornará ingovernável, sem o PMDB. Ingovernável é o país hoje, com Dilma tendo que considerar todas as necessidades de seu voraz "aliado" antes de tomar a menor decisão sobre os rumos da nação.

O PT precisa tomar a iniciativa de romper com o PMDB. Tomar o pé na bunda apenas fragilizaria sua situação mais ainda. Afinal, qual governo gostaria de ser marcado como "aquele do qual até o PMDB fugiu". Sem contar que, para satisfazer seu projeto de política, os pemedebistas certamente se jogariam nos braços do PSB de Eduardo Campos, o que tornaria a situação do PT em 2014 praticamente insustentável.

A solução, ao meu ver, está mesmo no governador de Pernambuco. O PT precisa romper com o PMDB, expulsar os membros dos partidos de seus cargos e buscar Campos. Hoje, ele é o político mais promissor do Brasil, o único que manteve estável sua popularidade após as manifestações, além de ter uma sólida base de apoio no Nordeste. 

Ao dar maior espaço ao PSB, o PT ganha um aliado confiável no Congresso, além de um apoio mais forte em 2014. 

É possível, ainda, estudar a possibilidade de se entregar a cabeça da chapa a Campos, com o PT indicando um vice presidente. Os petistas foram os que mais tiveram a imagem arranhada nos últimos meses, sofrendo horrores com os ataques da mídia tradicional. Talvez um tempo fora dos holofotes seja até bom para o partido retomar o fôlego neste momento.

A única coisa impossível é manter a situação atual, sob risco de morte do próprio PT.

5 de fev. de 2013

Fechando o cerco

Como não podia deixar de ser, o post de hoje é sobre o fato que estarreceu o Brasil na última semana, fazendo com que milhares de pessoas, outrora pacatas, se transformassem em uma turba de revoltosos que, como toda turba de revoltosos de respeito, passou a assinar maniacamente petições pela internet. Estou falando, é claro, da eleição de Renan Calheiros para presidente do Senado.

Muito já foi dito sobre este polêmico pleito, que seria um "tapa na cara da sociedade brasileira", "prova de que os congressistas não estão nem aí pra gente" etc.

Sinceramente, eu achei esse caos todo instalado com a eleição exagerado. Sim, eu também não acho que o Renan Calheiros seja flor que se cheire, ninguém bonzinho dura 18 anos no Senado, muito menos chega a ser presidente da casa. Duas vezes. O que eu estou dizendo é que, ante o panorama geral das coisas, a eleição do Renan é algo muito pequeno.

Mas e que panorama geral das coisas é esse, você deve estar se perguntando, meu caro leitor. Bom, para termos uma visão exata dele, precisamos olhara para o resultado da votação na Câmara dos Deputados. E adivinha só quem foi eleito lá? Henrique Eduardo Alves do... (suspense) PMDB. Ou seja, o PMDB possui os três primeiros postos na linha sucessória da presidência. Pergunta: o que pode ser pior do que o PMDB com três primeiros postos na linha sucessória?

Bu
Que tal, o PMDB com um presidente? Sim, eu sei que o Sarney só foi pra lá depois de sair do cargo, mas o que vale é a intenção.

Mas aí você vira para mim e diz, com toda a razão: ora, não conheço nenhum nome de expressão nacional do PMDB, como isso seria possível? Ao que eu digo, meu caro leitor, que você não os conhece porque eles não existem. Ainda. 

E aí entra mais um detalhe pouco notado. Mas antes de prosseguir com esse texto, preciso lhe apresentar a alguém. 

Só um carguinho, por favor!

Conheça Eduardo Cunha. O novo líder do PMDB na Câmara. Amplamente conhecido no Rio, seu estado de origem, praticamente uma incógnita no resto do país, Eduardo é conhecido por ser um negociador extremamente teimoso e por não ceder jamais. Isso não é só um indicativo do cerco que o PMDB impôs a Dilma (que pode ser tema de outro post), mas também, de onde eu vejo, pode representar um primeiro passo rumo a uma candidatura própria do partido – algo que não ocorre desde 1989 –  em 2018.

Mas o que Eduardo Cunha tem a ver com isso? Simples. Adivinha quem foi um dos patrocinadores da candidatura dele a líder do PMDB na Câmara. Uma dica: foi reeleito governador do estado que tem o terceiro maior número de eleitores do país com mais de 60% dos votos em primeiro turno. Já sabe quem é?

Quem?

Ele mesmo. O homem. A lenda. O prefeito de Paris  governador do Rio de Janeiro, Sérgio "Guardanapo" Cabral. Que, por acaso, é o mais próximo que o PMDB tem de um nome de projeção nacional hoje, graças ao espetacular departamento de marketing governo que ele vem exercendo em seus últimos dois mandatos. Aliás, segundo me disse um amigo meu que esteve recentemente na Bahia, ele ouviu muito, ao dizer que era do Rio, que "tá faltando um Sérgio Cabral aqui pra gente".

Como em política nada é de graça, é bem possível que Sérgio ganhe, em troca do seu apoio, um Ministério, que serviria para lhe dar maior visibilidade nacional. Agora, qual será o Ministério – de grande importância –  que vem sendo rotineiramente contestado na mídia nos últimos dois meses e que, pela "divisão de cargos", pertence ao PMDB?

Vida Louca Vida! Ah não, pera...

Ganhou quem disse Minas e Energia, do Senador Edison Lobão, o melhor trocadilho da MPB. Não seria nenhum absurdo se ele fosse demitido agora, acho que até a The Economist aprovaria, com a ressalva de que preferia a cabeça de Guido Mantega na bandeja prateada. Se Cabral fizesse uma boa gestão nesse Ministério, seu caminho já estaria bem pavimentado rumo a aclamação popular.

E no plano estadual, seria muito bom para colocar seu vice e provável candidato do PMDB ao governo do estado do Rio de Janeiro, Pezão, a frente da máquina pública. Afinal, trata-se de um nome pouco conhecido e deve enfrentar uma eleição complicada, com a provável candidatura de Lindbergh Farias, do PT.

Aliás, acaba de me ocorrer. Lembram de alguém que já foi ministra de Minas e Energia e depois concorreu e venceu as eleições presidenciais?

Dilminhaaaa

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Acabei de notar que esqueci de explicar no texto que, dentre as funções do líder de um partido na Câmara, está a de levar a cabo estas negociações informais com a presidenta que envolvem votos, cargos etc. Daí o fato de Cunha estar ocupando essa posição chave no partido ser tão relevante para essa trama aqui relatada.


2 de fev. de 2013

Senador Pedro Taques revela: "Sou torcedor do Botafogo desde criancinha"

Após ser derrotado ontem, depois de histórico discurso no qual afirmou preferir sair derrotado do que vencedor, o Senador Pedro Taques (PDT-MT) deu revelações bombásticas em entrevista exclusiva ao Potemkin.

"Sou botafoguense doente" nos revelou o Senador "havia algo naquela equipe que me chamava atenção, algum tipo de mística, não sei" suspirou ele enquanto lembrava do jejum de 20 anos sem títulos do clube.

Além do futebol, ele nos revelou outras preferências. Seu tenista preferido, por exemplo, é Thomaz Belluci e o filme que ele mais assistiu foi Cidade de Deus "uma pena que não ganhou o Oscar, torci demais, mas acontece né?"

Por fim, ele nos revelou que seu cantor preferido é Mick Jagger, vocalista da famosa banda de rock Rolling Stones.

"Adoro rock. Acompanho diversas bandas, mas os Stones são insuperáveis" finalizou ele.

20 de jan. de 2013

Li ontem no Globo que a Dilma não aceita mais negociar no PMDB.

Tudo bem que a fonte é um tanto questionável, já que não existem gravações, a informação foi obtida por terceiros e Dilma pode nunca ter dito para sua secretária "mandar o Temer a merda porque eu não aguento mais ceder cargos para o PMDB", mas o fato é que não é de hoje que nossa presidenta tem mostrado grande irritação com o crescimento exagerado do PMDB, o mais tradicional partido governista do Brasil, com mais de vinte anos de base aliada.

Esse desentendimento, quando a eleição já bate à porta, só serve para deixar o jogo mais interessante. Afinal, é impensável um governo funcional sem a ajuda de Sarney e cia, que agora exigem presidir as duas casas do Congresso Nacional.

A maneira como Dilma vai manejar os interesses de seu aliado é determinante para suas pretensões políticas. Afinal, se o PMDB não possui um nome com força nacional para fazer frente ao PT nas eleições presidenciais - forçando um pouco a barra a gente encontra o Cabral e olhe lá - eles possuem uma bancada grande o suficiente para tornar a segunda metade do mandato da presidenta uma zona, dificultando muito sua eleição. Principalmente se olharmos a figura de Eduardo Campos, que se agiganta no Nordeste - justamente o mais tradicional dos redutos petistas - e já começa a se tornar um nome de peso para a próxima eleição.

As peças já estão postas e os jogadores estão preparados, mas por enquanto o desfecho é imprevisível. Mas é bom já ir esquentando a pipoca.