29 de nov de 2016

Quando gigantes andaram sobre a terra


Mais que um homem. Mais que os onze em campo. Mais que os 20 mil na arquibancada. Mais que uma nação. Mais que um mundo inteiro. 

Uma muralha.

O ritmo sincopado da torcida é contagiante. O estádio pulsa como se fosse um organismo vivo. Todos juntos sob um mesmo objetivo. Uma mesma bandeira. Um mesmo gol. Um mesmo homem. Um pé.

48 minutos. Um único detalhe entre vida e morte. Um pé que vale por um sonho. Uma explosão. O estádio em êxtase. Realidade e fantasia se fundem em um único instante, que parece durar uma eternidade. Tudo passa a ser possível. Seremos campeões. 

Nos vestiários a festa emula a das arquibancadas. Contagiante. Corpos pulsando no mesmo ritmo. Gritando. Cantando. Exultando. Uma única voz se ouve: Estamos na final!

 Fizemos história.

O ritmo sincopado da aeronave é angustiante. O avião treme. O medo se espalha rapidamente. Venceremos? Ouço gritos. O que aconteceu?

Trinta mil pés de altitude. 

Vinte mil pés de altitude.

Quinze mil pés de altitude. 

Dez mil pés de altitude.

Cinco mil pés de altitude.

Um pé.

Um detalhe de vida ou morte. 

Eles dizem que quando você morre, passa um filme da sua vida pela cabeça. Devem ter se enganado. Como saberiam? Alguém já voltou para dizer como é? Vejo o mais importante: meus pais, minha família. Vejo a Chape. A torcida. A glória escorrendo pelos dedos. Um pé. Ouço gritos em uníssono. Por favor, não me odeiem. 

O pulsar ritmado do avião é substituído por outro. Os aparelhos batem e apitam no mesmo ritmo. Um pé. Um pé. Um pé. Um pé. Um pé.

Foi culpa minha? Foi culpa de alguém? Porque a gente? Porque hoje?

Não ouço mais nada. Não vejo mais nada. Não sinto mais nada.

Só a dor. E o peso.

Ouço um apito mais longo e mais alto que os outros.

O jogo acabou.

Somos História.