2 de mar de 2011

A Saga do Zé Vidente[2]

Caro leitor, um de nós dois é vidente. Acho que sou eu.





1 de mar de 2011

E o jasmim?

Interrompemos nossa programação (a)normal para um post inesperado de última hora.

Não é novidade para ninguém o que está acontecendo na Líbia. Caso seja, por favor, procure ler um pouquinho, se informar o acerca dos caóticos acidentes no mundo arábico. Caso você esteja com preguiça e ache jornal "muito chato", por favor, tenha um pouco menos de preconceito e pelo menos vá ler os quadrinhos e deixa a gente em paz.

Enfim, indo direto (mas não muito) ao assunto. Como nós, leitores de jornal e pessoas atentas ao segundo parágrafo possivelmente sabemos ( no minímo desconfiamos) a situação está razoavelmente caótica na Líbia. Eu digo razoavelmente porque se a coisa tá toda bagunçada agora, imagina semana que vem, que é carnaval?

Agora, folias a parte, para você que acabou de ler os quadrinhos agora, voltou e continua sem entender nada (mas pelo menos se divertiu um pouco) eis um resumo da situação.

Há mais ou menos uns quarenta e dois anos, aproximadamente, a Líbia não era governada por um presidente lunático com delírios de grandeza. E sim por um rei. O que não excluiu necessariamente a possibilidade do rei também ser lunático. Um dia, o então coronel Kadafi e alguns amigos do exército deram um golpe de estado que pôs o supracitado coronel como presidente ditador líder do povo líbio. Quarenta e dois (43) anos mais tarde (hoje), após o reflexo dos movimentos populares em outros países do mundo arábe, como Tunísia e Egito, ter chegado ao seu país, Kadafi enfrenta uma guerra civil, perdeu mais da metade de seu país, os principais poços de petróleo de seu país, está assistindo a luta chegando a capital, Tripoli e, naturalmente, corre risco eminente de morte horrenda, apesar de clamar em alto e bom som que seu povo ainda o ama, no melhor estilo Ceausescu. E, para piorar a situação, até sua inseparável enfermeira loura voluptosa ucrâniana o abandonou! É ou não é de matar?

Você deve estar se perguntando aonde encontrar fotos da tal enfermeira, certo? Não se preocupe, eu já encontrei. Compatíveis com o horário é claro. Ah! Não esquecer que a enfermeira loura voluptosa ucraniana é a loura voluptosa e não o velho com uniforme do exército.

Então, porque tudo isso? Não ficou claro ainda? Kadafi é um exemplo de superação e otimismo! Uma lenda morta-viva! Mesmo quando até sua enfermeira loura voluptosa ucrâniana o abandonou ele se manteve sorrindo e sempre em frente! Com frases inspiradoras como "Vou armar o povo líbio!" e "Vou morrer lutando porque sou cabra hômi!" Kadafi mantém sempre seu infinito bom humor, levantando o astral dos seus coleguinhas mesmo em meio as adversidades! Parabéns para você cara! Seja sempre esse grande companheiro e siga lutando!






(Voz do Alec Baldwin-Inglês opcional)

Oi. Ok, espero que ninguém tenha levado isso a sério. Se você levou isso a sério, estou profundamente decepcionado com você. E daí que você achou q fosse acabar? Do jeito que anda, isso aqui não acaba antes de amanhã. Se você achou que eu ia dar uma volta ao mundo apenas para falar que o Kadafi era exemplo para alguém, seu lugar não é aqui, conosco. Você pertence aos quadrinhos.

(Fim da Voz do Alec Baldwin-Português obrigatório)

Então, porque eu fiz você passar por tudo isso mesmo? Na verdade, foi mais de brincadeira mesmo. Se você sabe realmente o que está acontecendo na Líbia, podia ter pulado direto para cá. Sério. Esse não é um post resumo nem um post "amamos Kadafi", mas sim um post "o que o Zé acha disso".

E o que eu acho disso? Muita coisa.

Em primeiro lugar: Kadafi. Ele fez por merecer. Logo que ele começou a atirar em manifestantes pacíficos, o Mundo percebeu que tinha tudo para dar errado. E deu. Um a um, os antigos "aliados" de Kadafi foram metendo o pé. Exceto o inexplicável Hugo Chávez, o Hugito.  A ONU o defenestrou de seu Conselho de Direitos Humanos. E sua credibilidade foi reduzida a zero. Se bem que credibilidade ele nunca teve. Ele só teve/tem dois amigos leias até hoje: petróleo e seu exército de mercenários.

Ah! O petróleo! Aquele liquído mágico de levantar economias! O bálsamo negro puro que cura todas as feridas diplomáticas!

Pelo menos ele ainda tem o petróleo, certo?

Errado.

Os principais poços estão em poder dos guerrilheiros, o que me leva ao segundo ponto: manifestantes.

O que começou como uma série de manifestações pacíficas virou uma guerra civil. Kadafistas de um lado, anti-Kadafistas de outro. E a coroa de louros, é claro, é o petróleo. O que vai sair da Líbia? Ninguém sabe. Estamos prestes a abrir a Caixa de Pandora agora. Pode ser que saia um regime democrático pleno, lindo e maravilhoso. Assim como pode haver apenas uma substituição de ditaduras, que me parece a hipótese mais provável, dadas as circunstâncias.

O que nos trás ao tópico número três: Líbia e o mundo.

São as tais circunstâncias. Ontem, os Estados Unidos movimentaram navios e aviões na direção da Líbia e David Cameron, primeiro ministro britânico, sinalizou com a possibilidade de uso de força militar. Hoje, EUA já tem mais dois navios sendo estrategicamente posicionados. Um deles é com capacidade para carregar 2000 fuzileiros. Além disso, Hillary Clinton cobrou uma atitude mais forte e estratégica dos EUA em relação a Líbia.

Meu palpite? Em no máximo duas semanas, caso Kadafi não caia, EUA e Reino Unido vão anunciar uma invasão conjunta, estilo Iraque, e fazer o serviço sujo em nome da democracia, liberdade de expressão e da Coca-Cola.

Se Kadafi cair, eles vão entrar do mesmo jeito, mas para evitar que a Líbia se torne uma nova Somália. Porque, se uma Somália com piratas incomoda, imagine uma Somália com petróleo, altamente armada e às portas da Europa.

A Líbia, já faz tempo, é um dos membros-fundadores do "Eixo do mal", a lista negra dos Estados Unidos, composta por regimes altamente instáveis, potencialmente nocivos, donos de reservas petrolíferas e  Cuba.

Tudo que os EUA mais precisavam era de um pretexto para entrar quebrando todo mundo. E claro faturando alto em petróleo.

E, naturalmente, entrando de sola em mais um atoleiro militar.

Mas tem gente que nunca aprende.