31 de dez de 2011

Alguém passa logo essa champanhe

É engraçado pensar que eu ia iniciar esse texto falando que já havia começado e agora ele já está terminando. Eu odeio esse frenesi de final de ano.
Tudo começa com a musiquinha da Leader Magazine. Parabéns, vocês começaram o natal dois meses mais cedo, aposto como a Samoa está morrendo de inveja. Aí as pessoas começam a decorar suas casas, os papais noéis se proliferam pelos shoppings e quando você vê aquele seu tio careca está fazendo a piada do pavê ou pacumê(a mais sólida das nossas tradições natalinas) na confraternização de natal da família.
Mas o que me mata mesmo é o ano novo.
Em primeiro lugar, eu nunca sei o que desejar pras pessoas. Feliz ano novo, ok. E depois? Muita paz? Que tipo de paz? Existem diversos tipos de paz. Paz de espiríto, paz forçada, paz antes da merda arrebentar (meu tipo preferido). Felicidade? E se o cara for sádico? Você vai estar indiretamente desejando que ele sofra horrores durante o ano. Como você consegue desejar isso pra uma pessoa e ainda dormir em paz consigo mesmo, seu monstro. O campo dos desejos é deveras vago. No máximo, eu me arrisco num prático "pra você também", o que é uma espécie de garantia do funcionamento do karma.
E tem as resoluções. Qual o sentido de fazer resoluções que nunca serão cumpridas? A menos que você esteja concorrendo a uma vaga no Senado, esse é o tipo de coisa que não faz o menor sentido pra mim. Por isso eu tomei como resolução não mais fazer resoluções, o que eu tenho feito com louvor.
E tem também essa coisa da renovação. Como se um número, fora do universo financeiro, fosse realmente capaz de mudar algo na vida das pessoas.
E fica essa coisa de esperança, com as pessoas vestindo branco se abraçando e comemorando por aí, o que eventualmente acaba com algum amigo bebado na praia vomitando e tendo que ser escoltado pelos demais, o que é um tanto quanto constrangedor.
Esperança. Acho que é isso então. É tudo sobre esperança. Durante um dia, as pessoas vivem e respiram a esperança de que um dia tudo vai melhorar. As pessoas vivem como se pudessem escrever seus sonhos numa folha em branco. O sonho do ano que desabrocha.
Para os que acreditam, feliz ano novo.

P.s: eu ainda odeio esse frenesi de ano novo.

Zé vs Alcidess(2)

Ontem, como não estava fazendo nada, eu propus ao meu amigo Alcidess (nunca entendi porque dois esses) um duelo de contos. Ligeiramente diferente do primeiro. Cada um tinha que usar três frases escolhidas pelo outro no terceiro, sexto e nono paragráfos. Além disso, tínhamos que incluir, no sétimo parágrafo, uma situação inesperada elaborada pelo outro.Mas nós só podíamos vê-las ao chegar no sétimo paragráfo,  de modo que a coerência ficou seriamente prejudicada. O Alcidess teve que usar as seguintes frases:
"eu vi a lua e ela é azul"
"tem certeza que esses pingüins são domesticados" e
"eu quero um maçarico mamãe"
e usou a seguinte situação absurda:
"Um ornitorrinco saltitante usando pompons e uma curiosa sapatilha verde choque pergunta para a senhora gorda com vestido roxo claro de babados: "com licença, a senhora viu uns anões disfarçados de pingüins por aqui? eles me pediram um maçarico verde emprestado” "
Já eu fiquei com as seguintes frases:
"um tolo vale mais que um saco de farinha"
"uma gaiola é sempre uma gaiola" e
"viver é uma bobagem"
e eu usei a seguinte situação:
"É imediatamente revelado que a assassina é na verdade uma das personalidades múltiplas de um dos homens do enredo. A personalidade deve se chamar Rita."

O dele

Era uma noite fria e escura. Além de fria e escura era também úmida e ventosa. Definitivamente uma combinação de qualidades que a desqualificaria como uma noite de verão. Porém, a realidade não aceita regras impostas por escritores comuns e toma para a si as rédeas do que considera bom fazer ou ignorar. A realidade é uma dama geniosa.

Acompanhemos agora um cavalheiro que fazia par com todas as qualidades dessa noite, era frio, encapuzado, nauseabundo e um pouco menos do que se consideraria gordo. Tinha também um bigode e um cavanhaque desses que dizem aos passantes que seria melhor confiar em uma cobra do que no dono da composição facial.

Acompanhemos pois esse cavalheiro na mesa de carteado onde se encontrava. Junto com outros três cavalheiros enquanto jogavam amistosamente uma partida de pôquer. A fumaça dos charutos desses cavalheiros antiquados era tamanha que a estratégia na mesa resumia-se a simplesmente modificar a roubar, encoberto pela clausura do nevoeiro de alcatrão, as fichas do jogador ao lado enquanto este se ocupava de fazer o mesmo com o colega próximo. Eis que nesse estado de concentração e de estratagemas mil que se fazia presente um dos convivas, ligeiramente mais embriagado do que os outros exclama abobalhado: “eu via a Lua! E... ela é azul!”

Todos os presentes imediatamente dirigem seus olhares para uma estupenda bola azul que se eleva sobre as faces pasmadas e incrédulas dos pecadores que imediatamente tomam consciência de terem diante de si uma revelação divina. Iluminados pela luz azul um dos ilustres jogadores, o nosso companheiro avantajado!, menos ébrio que os demais nota que a esfera não é de maneira nenhuma a Lua. Embora pareça de fato ser feita de queijo.

Uma análise mais atenta remove de supetão todas as dúvidas acerca da natureza divina da aparição que se lhes fazia. A bola azul era tão só e apenasmente o lustre que pendia sobre as suas cabeças havia as tantas horas que jogavam. A diferença é que agora a lâmpada que estava acesa havia mudado do brilho branco e artificial de uma lâmpada fluorescente para o brilho azulado e intenso de alguma coisa sobrenatural.

De chofre a cena se transforma! O lustre que perigosamente pendia no ar sustento por uma corrente desaba sobre a mesa dos apostadores! Não se parte em cacos, ao contrário, intacto permanece girando com sua forma esférica no centro da mesa fazendo o barulho irritante típico de todo barulho indesejado. Do lustre saiu um diabrete que se fez presente no centro da mesa abrindo suas asas infernais e espalhando um brilho negro do fundo de seus pelos ensebados. Imediatamente acompanhado de outros diabretes que tomavam a sala não voando, mas andando a passos tortos e arrastando as assas negras pela mesa antes os olhos incrédulos de nossos gentis-homens. “Tem certeza de que esses pinguins são domesticados?” retrucou ante os olhos incrédulos o nosso primeiro homem, o ébrio chegado a dizer tonterias.

Eis que os diabretes usando seus poderes diabólicos das trevas do mal enfeitiçam os jogadores que desabam em coma profundo! Embriagados em uma viagem lisérgica os quatro convivas se reúnem em pesadelo. Ao fundo psicodélico distinguem músicas dos anos 70 enquanto diante de si veem desenrolar uma cena que lhes arranca golfadas de angústia do estômago. Um ornitorrinco enfurecido e tomado de bestial sede de sangue avança sobre uma mulher rechonchuda ameaçando-a com suas patas ferozes cobertas por sapatos verde choque de onde se entreveem garras demoníacas que por sua vez brandem coléricos pompons cor-de-rosa como clavas forjadas no fogo ardente dos infernos. Interrogava a pobre mulher: “Com licença – o sarcasmo escorria-lhe pelo cato do bico – a senhora viu uns anões disfarçados de pingüins por aqui? eles me pediram um maçarico verde emprestado?”

O chão se abre e os quatro companheiros de carteado desabam no abismo sem fundo das cores antes inimagináveis e por entre carmesins e purpuróseos flutuam rumo ao desconhecido das profundezas da criação humana. Quando estacam! E param em pleno ar, flutuando entre manchas coloridas como numa lâmpada de lava. Dissolvem-se seus corpos e entre derretidos coloridos mesclam-se os quatro em uma grande bola de sebo amarelo-real que explode em pinceladas oníricas com as 14 milhões de cores indescritíveis aos olhos intreinados dos humanos.

Acordam os quatro sobre a mesa, falta-lhes algo. Sentem um vazio interior que não se assemelha à fome mas a algo tão mais profundo... Veem um bilhete: “Obrigado pelas almas” e imediatamente lembram-se dos diabretes. Bêbados que estão, contudo, não tomam grandes impressões da história. Olha a mesa bagunçada e o lustre caído no meio de tudo. O quarto participante, que até o presente momento se mantivera mudo apesar dos efeitos do álcool e dos acontecimentos, levanta-se e proclama: “eu quero um maçarico, mamãe!” E tão logo recebe o instrumento requisitado sobe destemido na mesa decidido a consertar o lustre. Ao que é prontamente aplaudido pelos outros que lhe elogiam a clareza de ideias.

Bamboleando, equilibra-se no feltro engordurado sujo de whisky. Até que por mister destino. Espatifa-se quebrando o pescoço e levando consigo os outros três amigos num incêndio que devastou de tal forma o quarto que foi impossível para os policiais saber quem afinal estava perdendo e teria um motivo para matar os outros três.


O meu

Filho, vai comprar farinha ela disse. Porque não era ela que tava de pijama, lógico que era aqui do lado. Mercados não costumam mudar de lugar. Pelo menos não os que eu conheço. Não os supermercados e mercadinhos de concreto. Valeria a pena viver num mundo onde supermercados saem andando por aí impunemente? Como feiras itinerantes. Se fosse um mercadinho itinerante, eu talvez tivesse como mandar outra pessoa fazer isso. Alguém com um carro. Mas como não tivesse escapatória, saltitou levemente e continuou seu caminho numa falsa alegria contagiante. Ah! Ele assoviava também. Assovio ou assobio? nunca soube a diferença...

Farinha farinha farinha farinha farinha farinha rinha fa rinha fa rinha fa rinha as palavras ficam realmente engraçadas depois que você repete elas. Algumas palavras não precisam ser repetidas para ficarem engraçadas. Tipo jaculatória. Você poderia falar jaculatória um milhão de vezes sem saber o que é jaculatória e riria do mesmo jeito. Hmmm farinha farinha farinha cadê cadê cadê AQUI!!

Meio saco de farinha por favor. 15 moedinhas por favor. Ok. Aceita um tolo. Não. Como não?! Um tolo vale mais que um saco de farinha! Não aceitamos tolos nessa loja senhor, apenas moedinhas. E depois você ainda quer que eu leve o troco em balinhas? Senhor, nós aceitamos apenas moedinhas. Ah, qual foi... O que eu vou fazer com meu irmão mais novo então? O caixa olha para os lados sorrateiramente e sussurra rapidamente em seu ouvido seu irmãozinho é mesmo um tolo? da pior qualidade respondeu baixinho excelente, negócio fechado. Mas o senhor terá que aceitar o troco em balinhas.

Ele voltou pra casa certamente mais alegre do que quando tinha saído. Estranhamente, demorou menos tempo para voltar para casa do que para ir para o mercadinho. Quem sabe então era verdade o que o tio Carlinhos sempre dizia nos jantares de família (entre o pavê ou pacumê? e chamar o vovô de aeroporto de mosquito) demoramos mais para ir do que para voltar. Ou talvez tenha sido só aquele atalho mesmo.

Oi mãe trouxe a farinha. Que bom filho! Cadê seu irmãozinho. Troquei ele pela farinha. Ah, tudo bem, seu pai e eu vamos fazer outro, não tem problema. E o troco éééééééé eu peguei o troco em balinha. O QUÊ!?! VOCÊ NÃO TEM RESPEITO PELO TRABALHO DOS SEUS PAIS NÃO?!?! TRÊS ANOS NA SUA GAIOLA!!!! Mas mas foi a condição do cara pra trocar o saco pelo meu irmãozinho Hmmm, boa troca. Seis meses pelas moedinhas. Walter, o juninho tá quase pronto pra Wall Street.

Oh!
Morte lenta e dolorosa!
Eu a saúdo!
Saúdo como amiga, companheira
saúdo-te como amante!
Oh Bela Morte Lenta e cala boca seu viadinho! Você só tá a cinco minutos nessa gaiola e já tá desesperado. Você não é metade do homem que seu pai é! Eu não tenho metade da idade dele. Cale-se! Deixe-me sair! Isso é insano! Isso é um castigo. Uma gaiola é sempre uma gaiola! E um castigo é sempre um castigo. Quem sabe da próxima vez você não pense antes de aceitar o troco em balinhas?

Espera mãe! Isso é mais do que moedinhas e balinhas! É sobre liberdade! Dignidade! Quem vai comprar farinha pra você agora que eu estou trancado nessa gaiola? Hmm é verdade... Então você vai me libertar? Não seu frangote, eu vou te matar. O quê? Ela puxou a faca engole esse choro ou eu te degolo. Ele se espremeu num dos cantos da sua gaiola redonda. Pare de choramingar balbuciar implorar solte meus pés disse ela desferindo um violento pontapé no garoto que cinco segundos antes se encontrava prostrado aos seus pés isso é pelas moedinhas disse ela e seu rancor foi a última coisa que ele ouviu.

Então, o juninho não vem pra mesa. Ele já está na mesa? Ele é invisível agora? Ele é seu empadão. Walter engasgou com o susto. Nosso filho... Ele tem um paladar agradável. Ah, obrigada, demorou um tempão pra matar. Escuta Shirley disse Walter sério encarando-a através das lentes de seus óculos porque você fez isso? Não fui eu, foi a Rita. Rita? Quem é Rita? Minha personalidade assassina. Tá bom. Que cara é essa. Ela avisou que vai fazer um sanduíche pro Tião. Outra personalidade? Ahã. Ah, ela me mandou te matar.

Shirley, para trás. Eu não respondo por esse nome. Sejamos razoáveis Rita. Não, eu quero seu sangue. Nos olhos de Rita faiscavam o desejo, a cobiça, o gozo infinito. Eu sou seu marido! Não, você é o marido da Shirley. E cadê a Shirley? Tá ocupada. Com o Tião. Rita, guarda essa faca, por favor! Eu imploro, poupe minha vida. Viver é uma bobagem.

Walter chorou.

Shirley estava sentada num canto acolchoado. Balançava freneticamente sua cabeça de trás para frente. Abraçava seus joelhos. Era a única posição que lhe era permitida pela camisa de força que usava. Então Rita, o que fazemos agora? Esperamos meu docinho. Pelo quê? Não sei, docinho, não sei. Nós vamos esperar para sempre? Talvez. Uma lágrima escorreu pelo rosto de Shirley. Não fique assim meu docinho disse Rita ops, eu preciso sair rapidinho. O Tião tá me chamando.

2 de nov de 2011

pouco me importa
se o sol lá fora
entra pela janela
do meu quarto
pra me convencer do contrário

pouco me importa
se o riso das
crianças
voa como se fosse
um dia ordinário

pouco me importa
a alegria alheia
o movimento
das ruas
o caos
da cidade

pouco me importam
os sons urbanos
que tentam me mostrar
a vida que ainda insiste
em existir

pouco me importam
as emissões de gases
poluentes
o tic tac dos relógios
o tempo que
inexorável tempo
que nunca para

pouco me importa
se o sol brilha com força
se o céu é azul com força
se as nuvens fugiram
para outra dimensão


sempre chove em finados
e eu sinto sua falta

27 de out de 2011

Estrófe 5

Eu gosto dos meus
poemas como eu
gosto dos meus
bifes:
crus e
indigestos

19 de out de 2011

Cronos

10 minutos

O que você faria se tivesse apenas dez minutos de vida? Eu?, bom, acho que eu faria algo bem explosivo, sabe. Eu ia querer me despedir com bastante estilo. Chamar a atenção de todo mundo, sabe. Hein? Como não? Eu não conhecia esse seu lado tão discreto amor. Sim, eu sei que é só o terceiro encontro mas eu sinto Tratante eu?! Garçom! Francamente, o atendimento desse restaurante é uma merda. Não muda o assunto!! Calma, amor Desculpa! Lu! Calma Lu, eu só acho que a gente uma hora ia ter que comer não, eu não uso subterfúgios. Ah! O garçom chegou.

9 minutos

Tic Tac

Alguma entrada? Que tal am Lu? Um carpaccio? Sim, um carpaccio. Para comer... Eu vou querer uma salada e você? Bom, eu quero um contra-filé. Qual o ponto? Ao ponto pra mal. Ah, vejo que o cavalheiro gosta de viver perigosamente. Bota perigosamente nisso. Eu ouvi um certo sarcasmo nessa sua voz? Ok ok, não precisa encarar. E a carta de vinhos. Ah..., pede uma champagne... Uma Veuve Cliquot por favor. De fato o cavalheiro gosta de viver perigosamente.

Sai de cena o garçom.

Fique constatado que uma boa champagne acalma as feras.

8 minutos

Tic Tac Tic Tac

Então voltando ao assunto E a inflação né... Inflação?? É muita cara de pau sua vir discutir inflação comigo no terceiro encontro!! Principalmente depois daquela grosseria! Imagina se alguém ouve que vergonha. Ah amor Fez de novo!! Seu tratante!! Ah, mas se eu não saio daqui! Lu, não vamos fazer tempestade em copo dàgua. A gente precisa aproveitar a vida. Imagina se a gente morre daqui a oito minutos. Você não devia ter quebrado a hierarquia! Lu... eu já pedi a champagne. Imagina que horror, devolver a champagne. Ok, eu fico, mas vou no banheiro.

7 minutos

Tic Tac Tic Tac Tic Tac

Então a dama realmente te deixou? Eu cancelo a Veuve Cliquot? Acho que alguém está muito abusado essa noite. Ela só foi ao banheiro e voltará daqui a pouco. Ah, aqui está ela. Bem na hora Lu! O garçom sai com cara de quem cuspiria no minestrone do moço, se ele tivesse pedido um minestrone. Você quer  que eu te sirva? Eu me sirvo sozinha (¬¬) Isso significa que você está pronta para dividir a conta? Eu não acredito!! No terceiro encontro!! Eu acho que eu vou explodir!!!! Eu vou ao banheiro! E não me olha com essa cara!

6 minutos

Tic Tac Tic Tac Tic Tac Tic Tac

O seu minestrone senhor. Mas eu não pedi nenhum minestrone! O senhor vai mesmo querer jogar comida fora? Se o senhor tivesse anotado meus pedidos! E a dama... Me dá logo esse minestrone!! E trate de trazer a Veuve Cliquot!!! E pelo amor de Deus não me faça mais perguntas!!!! ...  Esse minestrone tá com um gosto esquisito. Acho que ele veio um pouco frio. Eu é que não pago essa bosta, nem pedi mesmo.

Ele tinha cara de Astolfo. De fato, só um Astolfo pra pisar assim na bola. Ainda mais com uma Lu. Deve ser algum tipo de predestinação.

5 minutos

Tic Tac Tic Tac Tic Tac Tic Tac Tic Tac

A salada. E o contrafilé? Não está pronto ainda. Mas aí eu vou comer sozinho? Se a dama for embora, acredito que o cavalheiro não poderá culpar a nossa comida. Olha que eu não pago os dez por cento hein. Ah! Olha quem voltou do banheiro. Não acredito, já vai voltar? Você nem se sentou?!? De súbito o narrador percebe que o público não está minimamente interessado nas idas e vindas da fêmea que convencionou-se chamar de Lu ao banheiro enquanto seu acompanhante fica sozinho com o garçom, que aliás cultiva um exuberante bigode à moda portuguesa. Portanto, fique registrado que daqui em diante não haverá mais nenhuma pessoa indo ao banheiro neste texto, apenas em casos de necessidade dramática.  Aliás, o mesmo narrador  deixa registrado que durante está longa divagação o tempo permaneceu congelado.

Pausa dramática




Fim da pausa dramática

Ele deu uma olhada a sua volta. Lu estava sentada de frente para ele, encarando esperançosa a champagne. As toalhas pareciam um pouco mais azuis, o garçom estava sem bigode e seu minestrone, que ele nem tinha pedido por sinal, estava frio. Fora isso, nada de muito extraordinário parecia ter ocorrido durante a pausa dramática. Ainda assim, foram momentos bem dramáticos.

4 minutos

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Você já teve a impressão de estar sendo seguida por um relógio? Hein? Olha lá!!! É o Reinaldo Giannechini!!! Aonde?!?! Esquece, era só um garçom parecido. Ah... Você estava falando... Demora essa comida não? Minha salada chegou. Aí, tá fria! Acho que vou pedir para esquentar. Chama o garçom?? Não acredito!! Você não acha que vai ficar muita apelação?? Ficar chamando o garçom cada vez que o narrador esbarrar nas limitações dos seus personagens incipientes??? Apelação é você e essa sua metalinguagem ironizando o autor. Só não vou o banheiro porque fui proibida!

3 minutos

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O que você faria se tivesse apenas três minutos de vida? Acho que você já me perguntou isso não? Variações do mesmo tema sem sair do tom. Deve ser efeito da champagne. Mas nós não abrimos a champagne! Hmmmm... éééé... você não acha que essas toalhas estão um pouco mais azuis? Hein? Você notou que nossa entrada ainda não chegou? O carpaccio? É verdade. Realmente, o atendimento desse restaurante é uma merda. É um inseto na minha salada?? Parece uma lagarta... gigante... Garçom!! Tem um inseto na salada da moça. Eu irei trocá-la senhor. Aproveita e dá uma esquentada por favor. Esquentar ... a ... salada... certamente senhor. Você notou que o bigode do garçom sumiu?

2 minutos

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O que a gente não faz pelos 10%... Senhora, sua salada. Agora ela tá murcha. E a lagarta tá muito seca. Não tem como trocar por uma mais fresquinha? E com uma lagarta um pouquinho menor e mais gordinha? Sim senhora. Se eu encontrar o gerente dessa espelunca Chamou? Personagem macho vs Gerente: Let the fight begin. Isso ficaria infinamente melhor em quadrinhos. Hein? Quis dizer o atendimento do seu restaurante é uma droga! Uma droga não, uma merda! Isso é bem pior que uma droga! Ah sim, acontece o tempo todo. Vamos fazer assim, eu vou dar um sorvete de graça para vocês. Achievement Unlocked: Ganhar um sorvete de graça do gerente barrigudo de graça. Amor +4, Inteligência +3, Culhões +7, Conta -10%.

60 segundos

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Você fooi tãããããooo Foi daqui que pediram um bife? Mas ele tá cru! Eu pedi ele ao ponto para mal! Eu tentei avisar... Esquenta esse bife. Eu não acredito que vai demorar ainda mais. O senhor não tocou no seu minestrone. EU NÃO PEDI A PORCARIA DO MINESTRONE!!!! E ELE TÁ CRU!!! CRU!!! Senhor, um minestrone não pode vir cru. Chama o gerente! Sinto muito, só um sorvete por mesa.

50 segundos

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Hfffff... seus olhos caramelo brilhantes estavam fixos nele e e nos indefindos dele e ela estava apoiando sua cabeça na ponte que fazia em suas mãos enquanto seus cabelos levemente castanho-louros escorriam da seu couro cabeludo e o brilho de seus olhos transparecia apenas uma mensagem




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40 segundos
To me sentindo tão frustrado... Aí liga não aaaa quer diz A o que!?!?! Hein? Você ia me chamar de amor não ia?! Ele estava explodindo por dentro. Aí, lógico que não. No quarto encontro?? Que loucura. Só tava dizendo que você foi tão corajoso enfrentando o gerente barrigudo de terno. Tipo assim, você viu a careca dele né? Que loucura.


Tic Tac Tic Tac Tic Tac Tic Tac Tic 30 Tac Tic Tac Tic Tsegundosac Tic Tac Tic Tac Tic Tac Tac Tac Tic Tac Tac Tac Tic Tic Tico Teco
Então... Falou ele num tom bem esperançoso. hmmmmmm Você não acha hmmmmm que a gente devia abrir a champagne? Ah sim, claro. E ela corou de leve e disfarçou no seu belo sorriso amarelo todas as indiferenças , imbecilidades, cegueiras e falta de higiene bucal do mundo. No seu belo sorriso amarelo.

20 segundos
E Tic Tac Tic Tac Tic Tac Tic Tac Tic Tac Tic Tac Tic Tac Tic Tac Tic Tac muitos Tics muitos Tacs

Como um cavaleiro, ele serviu a campagne. Como uma dama, ela bebeu a champagne. Como um casal eles adentraram juntos o onírico mundo dos ébrios onde até o mais simples narrador se utiliza de expressões sofisticadas. E eles se afogaram, flutuaram, voaram e se amaram nas bolhas do champagne por tanto tempo que os dez segundos pareceram mesmo dez segundos

10
Olha, eu preciso te dizer uma
9
coisa hmmmm me con
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ta logo, nós não temos
7
a noite inteira *Pigarro
¨6E
Escuta, eu andei aqui
5
pensando se você
4
siiiiiiiiiiiiiim não que
3
ria simmmmm
2
ééééé eu não sei bem como
1
te dizer isso que se dane eu vou
0
BOOOOOM!!!!!!

A bomba que estava debaixo da mesa deles explodiu. É uma ótima desculpa para um péssimo encontro.

Le garçom: Foi daqui que pediram um bife? Ah! A mesa explodiu! Ei, chefe, o casal da mesa 23 se auto destruiu! Posso ficar com o minestrone!?

E lembrem-se sempre: gatinhas adoram explosões.

17 de out de 2011

Cai em pé e corre...

Para de correr. Hein? Para de correr agora. Mas tá chovendo. Exatamente por isso. Então você quer que eu me molhe mais? Não, quero que você se molhe menos. O quê?! Andando!? Cê tá maluco?! Não, é sério. Porra!! Como pode ser verdade!? É impossível!! É lógica!! Você corre, você chega mais rápido no lugar, você fica menos tempo na chuva e você se molha menos! Vê é igual à delta esse sobre delta tê! Já esqueceu disso?! Tá fazendo engenharia pra quê!? É cientificamente provado. Peraí... Você não vai mandar aquele papo de gato alienígena que solta raio laser de novo não né?? Não. Porque ninguém me leva a sério? Porque será... A pergunta foi retórica. Parece que alguém andou lendo o dicionário. Eu percebo uma leve ironia na sua voz? Quem? Euuuuuu? Fiquei até ofendido. Affff... Enfim, foi cientificamente comprovado! E o cara que comprovou ganhou o Nobel também... Aí! Você não me deixa argumentar! Reacionário! Escuta, quem provou isso? Newton? Einstein? Stefen Hawking? Primeiramente, é StePHen Hawking com ph. E não, não foi nenhum deles. Foram os Mythbusters [nota do tratudor: Caçadores de Mitos, um programa de TV da época em que o autor deste texto ainda assistia TV]. HAHAHAHAHAHAHAHA Agora você tá querendo me convencer que aqueles dois palhaços da tevê são cientistas sérios?? Ei! Tenha mais respeito ok? Eles usam jalecos e explodem coisas!Agoooooora sim! Acrescentou ele com um riso meio de escárnio, meio de cinismo e meio de peperoni no rosto, criando o primeiro riso 3/2 da História. Cínico. Cínico. Cínico. Você NUNCA vai me convencer que dois palhaços correndo embaixo de uma mangueira ligada chegaram a uma conclusão correta! EI!! Mais respeito amigão! Eles NÃO são palhaços!! Eles TÊM jalecos e EXPLODEM coisas coisas. E os jalecos continuam BRANCOS depois!!! E além disso, foi um experimento sério conduzido em condições controladas, dentro de um galpão simulando situações variadas de temperatura e vento garantindo uma precisão cirúrgica e ainda passou AO VIVO n EI!! Pra onde você tá indo? O ponto de ônibus é pro outro lado! Tá fugindo é? Você não sabe lidar com argumentos concretos e meu charme irresistível é isso? Tudo bem, pode tomar outro ônibus eu estou muito bem AH! Cala a boca! Eu não vou pegar outro ônibus.     Não?... Entããão... Aonde você tá indo? Comprar um guarda chuva

27 de set de 2011

02

Eu não sei quanto a vocês, mas eu tive uma péssima semana sem ver nenhuma foto de strippers duvidosas saindo de bolos suspeitos. E não é que eu goste de strippers duvidosas e de bolos suspeitos. É que semana passada foi aniversário do Potemkin, eu não tinha postado nada e estava sem grandes idéias para iniciar o texto.


Em time que está ganhando não se mexe!
 Enfim, para todos aqueles que verdadeiramente notaram a perturbadora ausência de fotos de strippers duvidosas saindo de bolos suspeitos, aqui estã minha redenção. Para os que não sentiram falta de fotos de strippers duvidosas saindo de bolos suspeitos, é o tipo de coisa que vale a pena ver numa terça de noite. Se você não estiver pedindo uma pizza, é lógico. E para você que não aguenta mais ler sobre fotos de strippers duvidosas saindo de bolos suspeitos, eu mudo o assunto logo logo.

E para você que lembrou do aniversário de dois anos do blog, meus parabéns! Você está melhor que eu. Ou alguém acha que foi por acaso que eu postei exatamente uma semana depois. Eu queria que, em algum momento, o aniversário do Potemkin virasse tipo um feriado ou uma data memorável, mas acho que vai ser difícil enquanto eu continuar errando a data.

Enfim, hoje completamos dois anos firmes e fortes. O que, em termos de blogs, acredito que principalmente em termos de blogs escusos e raramente frequentados, seja algo bastante avançado. Chegar aos dois anos ainda na ativa é uma coisa bem significativa. A vida de um blogueiro é bem estressante e a falta de retorno leva muitos ao suícidio à obesidade à arranjar uma ocupação digna e largar essa tal de internet ao suícidio e a depressão, não necessariamente nessa ordem.

Mentira.

Mas é bem complicadinho sim.

Publicar conteúdo te obriga a ser sempre diferente, original. Mesmo que as vezes ser original signifique ser um pouco repetitivo. Por a originalidade em primeiro lugar é a obrigação de todo que se julga produtor de conteúdo. Esquecer disso é o caminho mais rápido para deixar de ser um produtor de conteúdo e virar um mero REprodutor. E essas duas letrinhas (não exatamente letrinhas, já que eu usei o Caps)  fazem uma enorme diferença. Pelo menos para mim. Pelo menos neste blog.

Neste blog ser original é um orgulho e produzir conteúdo é uma obrigação. Por isso que a cada post que passa escrever aqui se torna mais difícil. E mais prazeroso. E eu sinto que, quanto mais eu me esforço para ser original e constante, mais eu me desenvolvo e aprimoro minhas habilidades.

Nesse processo de crescimento e aprimoramento, os leitores são imprescindíveis. É a sua interação, sua opinião, sua leitura e seus xingamentos as duas e meia da manhã que fazem com que o blog seja hoje o que ele é hoje.

E haja crescimento. Se em um ano eu cresci muito, em dois pode-se considerar que minha estatura elevou-se à sei lá que potência estupidamente grande que se usa na matemática. É só comparar qualquer arremedo de palavras, qualquer projeto de texto escrito há dois anos com um posto fresquinho recém saido do blog para notar a diferença bizarra de qualidade entre os dois. Acho que meus textos finalmente ganharam a tal maturidade que muita gente me disse que faltava.

E é engraçado, porque essa coisa chamada maturidade não pode ser definida, é difícil de descrever, mas é facilmente notada. Basta bater o olho no texto. É algo que chama muito a atenção, mesmo quando não existe.

Hoje eu olho pra frente e vejo quanto ainda falta pra ser conquistado. Mesmo já tendo andado muito, eu sei que não andei quase nada. Mas é aquela história: pra quem caminhou pouco, metade é o dobro. E olhar pra frente e ver tudo que pode ser feito me dá uma certeza: ainda virão coisas melhores! Abraços a todos e muito obrigado pela paciência (e haja paciência) ao longo desses dois anos! E veja só, não tem como acabar esse texto sem recorrer a um chavão.

Mentira.

Tem sim.


RÁ!!


17 de set de 2011

"Acho que foi um dos seus mais brilhantes textos até agora. Você conseguiu passar toda a visão de uma garfada de comida através da forma de um poema. Eu me senti um prato de arroz strogonoff e batata palha." Newsweek Time NY Times Meia Hora Ah. tá bom, foi do Alcidess mesmo!

O Texto em sim propriamente dito por sinal

Um velho almoçando
dois velhos amloçando
cem velhos almoçando
mil velhos almoçando
cem mil velhos almoçando
infinitos velhos almoçando
42 velhos almoçando
almoço ad eternum

Um velho careca
comendo strogonoff
com arroz e batata palha
um fóssil
um museu
os velhos carecas comendo
strogonoff com arroz
com arroz e bata palha

Um velho careca
um velho quase careca
com um fino tapete de
cabelos brancos disfarçando
a sua careca

Um velho carecaquasecareca
de óculos
almoça strogonoff com arroz batata palha
com arroz strogonoff

Um velho de óculos
carequasecareca
comendo tranqüilo seu strogonoffcomarrozcombatatapalhaarrozebatatapalha
com arroz e batatapalha
no seu almoço sem fim
um velho quase de óculos
careca
toma seu cafezinho
que nunca acaba
Um velho careca quase de óculos remexe em seu prato
o almoço não acaba
o strogonoff não acaba
o arroz não acaba
o arroz não acaba
a batatapalha não acaba
o velho nunca acaba.

O velho acabou
com batatapalha

31 de ago de 2011

31/08

Parabéns pra Netuno
pela sua descoberta
e pro Quiriguistão pela sua
independência.
Parabéns para o Rio
que virou capital
mas que perdeu o posto
depois.
Parabéns para Jack,
o Estripador,
pelo seu primeiro assassinato
(                                                         )
  a primeira vez a gente nunca
                                             esquece
.
Ao pobre Costa e Silva
afastado do poder
mando minhas condolências
e meus pesâmes a
princesa Diana
porque morrer deve ser uma merda
Feliz dia do nutricionista,
contanto que não me mandem
dietas
E parabéns
com ressalvas
ao Uzbequistão
que mesmo independente entrou
no mesmo dia entrou para a
C
E
I
que é uma maneira disfarçada de continuar dependente
eu queria me mudar para Uberlândia
pra ter feriado no dia do meu aniversário
Parabéns para Trinidad
e Tobago
que são quase um país dois-em-um
pela sua independência
e ao leitor atento
que notou que eu já estou sem idéias.
E por fim,
feliz dia da conscientização nacional sobre
a Esclerose Múlltipla
mais uma data
que podia virar feriado.

21 de ago de 2011

Cheiro de Jasmim

Eu gosto de pensar que os ditadores sanguinários, principalmente quando em regiões próximas e/ou semelhantes culturamente, acabam sendo como pecinhas de dominó enfileiradas. Você empurra a primeira e as demais vão caindo como se fosse uma reação em cadeia. Em parte porque realmente é uma reação em cadeia, mas deixa isso quieto. Agora há pouco ou talvez nem tão pouco assim caiu mais uma pecinha. Uma pecinha daquelas bem chatas, que há uns bons seis meses resistia com afinco a lei da gravidade e lutava para se manter em pé. Sim, senhoras e senhores, caiu o Kadafi.

E o texto é só isso mesmo.

4 de ago de 2011

Estranho mas não muito

Hoje prometia. Prometia ser um dia bem chato e dentro do normal. E de fato, fora uma ou duas violações isoladas  e perfeitamente justificaveis da lei da gravidade, foi um dia absolutamente chato e normal. De chatice e normalidade irretocaveís. Irrepreensíveis. Seriam nota 10 se não fossem tão aborrecidos, o que é quase um elogio em termos de chatice.

Veja bem, hoje tudo corria dentro da maior normalidade. Até mesmo as violações perfeitamente justificaveis da lei da gravidade foram perfeitamente normais, visto que eram perfeitamente justificaveis. E o Jobim, por exemplo, foi demitido, como já era de se esperar. Aliás, foi demitido não, demitiu-se. Ministros nunca são demitidos, se demitem. Deve ter algum tipo de código de honra ministerial, como existia o dos samurais, que diz que se você for derrotado, vale mais a pena se demitir. Como se sair dizendo "não tô mais afim de brincar!" fosse capaz de apagar todas as cagadas feitas ao longo do caminho.

Pois bem, quem diria que, justo no ápice da chatice e da normalidade do dia de hoje, o imponderável abriu uma pequena brecha para atuar. Senhoras e senhores, acreditem ou não, nosso novo ministro da defesa é, nada mais nada menos que: Celso Amorim.

"Mas esse cara não era o chanceler do governo Lula?" você deve ter pensado. E sim, ele realmente era o chanceler do governo Lula. Se isso não pode ser considerado uma brecha do imponderável, há de se convir que é algo no minímo inusitado. Inusitado sim, mas não completamente imbecil e impensado.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que, mesmo sem fazer nada, Amorim possui neurônios e é capaz de utilizá-los de maneira eficaz e com grande competência, o que é uma larga vantagem em relação ao seu antecessor, conhecido por, digamos assim , assumir posições controversas e dar declarações impensadas em momentos inoportunos. Um gentleman.

Ter um diplomata no comando do exército deve mudar algumas coisas. Acredito que a compra dos caças franceses, por exemplo, ficará (ainda) ainda mais complicada. Não é só porque o Jobim que estava mais inteirado do assunto (ou não, sei lá), mas principalmente pela formação do novo ministro, muito menos belicista que o seu antecessor. Porém, nem tudo deve ser ruim. A tal comissão da verdade, por exemplo, pode finalmente sair. E o Brasil pode abandonar a missão da ONU no Haiti, a qual, até onde sei, nunca agradou muito o novo Senhor da Guerra ministro.

Em absoluto, quem não deve ter gostado muito dessa brincadeira foi o PMDB, que perdeu um ministério e, de quebra, viu ele ser ocupado por um petista. Amorim era filiado ao PMDB, mas virou a casaca tem uns anos já.

Essa escolha também põe em xeque a independência de Dilma. Justamente no momento que ela vinha ganhando força junto a opinião pública com a faxina promovida no Ministério dos Transportes, ela coloca no cargo um ex-ministro do Lula. Será que a coisa tá tão feia que não tinha mesmo nenhum militar melhor qualificado?

Enfim, foi algo inusitado com certeza, mas inusitado não é e nunca foi sinônimo de incompetência. Podemos lembrar de um sociólogo que, no comando do Ministério da Fazenda, criou um plano que até hoje faz sucesso estrondoso.

Em tempo: Como será que a oficialidade do exército vai reagir ao comando de um diplomata? Espero que eles não fiquem sabotando o Celso.

31 de jul de 2011

Visite o Potemkin e traga um amigo

Hoje é o último dia do mês. Coincidentemente, faltam apenas 55 visitas para quebrar o recorde de visitas em um único mês no Potemkin. Por isso, eu queria pedir à todos os leitores que visitam o blog que o indicassem p um amigo (é fundamental pedir para esse amigo indicar o blog para outra pessoa) e ver se dá em alguma coisa.

Se der certo, eu farei posts destrinchando as estatistícas do blog, o que é bem mais divertido do que parece.

Update: CONSEGUIMOS!!!! Em menos de duas horas as visitas foram alcançadas!!!! Obrigado a todos que participaram!!!

30 de jul de 2011

Sensacional tira do Alcidess, que meio que voltou a postar hoje. Não digo mais nada porque, pa b ented me pal bas



Confira mais do alcidess  aqui








P.S. Só para esclarecer os menos esclarecidos, aquele do vídeo não era o Alcidess. Até onde eu sei, ele não canta e dança, apenas faz tiras e contos. Caso você seja antigo no blog, provavelmente já sabe onde encontrá-lo, mas para os marinheiros de primeira viagem, basta procurar o link Piadas, Cotidiano e Psicanálise ao lado, junto de outros blogs semi-inativos ou inexstentes. Caso você esteja com muita preguiça de ir até a barra lateral, clique aqui

Arquivo morto-vivo (ou na falta de um título decente)

Nesses últimos dias eu tenho me dedicado a um exercício muito comum à escritores de toda a sorte, que em geral o realizam com certa frequência.

Não, eu não estava fazendo nenhum exame médico para verificar se eu estava com tuberculose. Nem estava bebendo meio copo de uísque sentado sozinho numa mesa isolada num barzinho à meia luz. E eu também não tentei me matar (eu lá sei que tipo de escritor o amigo leitor costuma frequentar).

Eu estava relendo meus textos antigos. Muito divertido hein você deve estar pensando. Se é isso que os escritores fazem no tempo livre, o que será que eles fazem quando estão trabalhando. Porrannn.

Mas não é. Mais que excesso de tempo livre, reler seus textos é um exercício. De paciência principalmente, uma vez que você já sabe o final de todos eles.

Mas também se aprende. É claro que o quanto se aprende depende do escritor e do seu senso do ridículo de autocrítica. Escrever é um processo de aprimoramento constante. Você dá uma ajeitadinha aqui, uma mexidinha aqui e pronto: continua uma merda, mas é uma merda autêntica!

É uma experiência única poder reler seus textos. Recomendo à todos que escrevem que o façam, e aos que não escrevem, que comecem a escrever agora para, daqui a um ano, poderem reler o que começaram a escrever.

Reler os textos escritos é testemunhar o seu crescimento e amadurecimento. Cada vez que eu vejo um texto meu escrito ano passado eu penso: que merda, não acredito que eu achava isso bom. É palpável a minha insegurança, por exemplo, ao navegar e tentar fazer malabarismos com as palavras.

Aliás, se antes eu não entendia o que queriam dizer com: seus textos precisam de mais segurança, agora eu entendo e acho que segurança fica até um pouco vago para defini-lo. Me parece, hoje em dia, que o que me faltava naquela época eram a familiaridade, a malícia e a experiência que só se ganha com o tempo.

Você pode argumentar, caro leitor, que me faltava qualidade literária. Mas isso falta até hoje.  E não aparece nem com reza braba.

29 de jul de 2011

Zé vs Alcidess

Hoje, eu e o alcidess nos envolvemos numa feroz disputa ferrenha, palavraapalavra, para decidir qual de nós dois era o melhor contista. As regras eram simples. Cada um escolhia uma palavra para que o adversário começasse e terminasse seu conto com ela. Para o alcidess, escolhi uma eterna favorita minha: Hipopotomonstroseesquipedaliofobia. Para mim, ele escolheu Lambisgóia. Devido a baixissíma qualidade de ambos os contos, foi declarado um empate técnico por insuficiência técnica. de comum acordo, decidimos expor aqui nossos contos para que o público decida: qual de nós dois é o menos pior afinal? Observação rápida: ambos, como manda o figurino dos preguiçosos, não escolhemos títulos, mas algum leitor mais criativo poderá se sentir mais a vontade para sugeri-lo nos comentários.
O meu
Lambisgóia!! Mas que merda de palavra é essa?!?! Eu odeio isso!! Um escritor que não sabe o significado de uma palavra?!?! Onde já se viu tamanho disparate.?...? Ele ficara revoltado, com razão, afinal, quem já viu um escritor que não sabe o que significa lambisgóia? Seria um parente distante da lombriga? Lombriga ou lumbriga? Acho que para o MEC tanto faz. Talvez um meio termo entre lombriga e lacraia? Mas então não seria lombricaia (ou lumbricaia)? Ou quem sabe labriga? Parece a briga em espanhol, que é português falado um pouquinho errado. Os gaúchos, por sua vez, falam espanhol um pouquinho errado e acham que falam português. Quem está com a razão? E o que diabos é o italiano então? No meio do caminho tinha uma lambisgóia, tinha uma lambisgóia no meio do caminho. Fica melhor com uma pedra... Melhor deixar isso de rima pralguém que realmente entenda do risca MERDA! Tropecei numa pedra! No meio do caminho! Pedra filha da puta. Se fosse uma lambisgóia aqui, pelo menos eu teria descoberto o que é uma lambisgóia. Não que isso sirva de consolo para o pobre escritor, cuja perna (digo pé) agora dói para cacete. Vou por gelo. Água dura. E gelada. E transparente. E ligeiramente molhada. Porque, na verdade, o gelo seco não é feito nem de água muito menos de gelo. É um farsante, uma espécie de Camaleão do freezer. Se por acaso eu errasse a digitação e escrevesse frasante, quem sabe o gelo seco não fosse um neologista, como Gumarães Rosa, não deixando de ser um Camaleão das palavras e, por conseguinte, um neologista do freezer. Mas quem seria o rei supremo dessa corte de fantasia estabelecida no freezer, que disporia dos serviços de um Camaleão que se disfarça de neologista para fingir ser o bobo da corte, porque o verdadeiro bobo foi descongelado a mando do tirano, por ter feito uma piada deveras ofensiva acerca do peso da excelentíssima senhora rainha do freezer, a coxa da galinha (?). Ou, quem sabe, impiedosamente triturado por ter posto em dúvida a inexistência da cabeça de bacalhau. Aliás, se bacalhau tivesse cabeça, seríamos ainda capazes de comê-lo com a mesma vontade, tendo que olhar em seus olhos e ouvir seus belos discursos sobre a liberdade, o mar, e a importância das focas numa dieta equilibrada e balanceada?? Aliás, aqui estou eu falando com peixes e sobre peixes e descubro agora que esqueci o fogão ligado e a porta da geladeira aberta. Mas que conflito térmico alimentar mais interessante se configura agora aqui na minha cozinha, tão longe de mim, tão perto de mim, continua longe, merda. Eu queria saber o que vai acontecer quando o exército da salada, sobremesas, pastinhas e entradas se chocar contra as sobras do almoço. Se eu der muita sorte, eu vou chegar em casa com a janta já pronta. Lambisgóia. Lam-Bis-Goya. Desliza pela língua. Tem jeito de ser uma daquelas palavras que a gente usa quando alguma coisa dá errado. Tipo cacete, merda e org. Falando em org, eu ainda não sei o que significa lambisgóia. ORG!! Isso está me deixando louco (cale-se cale-se cale-se). Talvez ela seja uma daquelas palavras para se usar cabisbaixo, bem devagar, quando se está decepcionado com alguma coisa. Puxa, mas que lambisgóia... Não funciona. Talvez Lambisgóia tenha sido um grande imperador inca. O reinado do grande Lambisgóia, respeitado e temido por todos os índios e lhamas do Peru e da Bolívia. Lhamas são animais quadrúpedes de quatro patas que vivem mascando chicletes de menta por que tem malálito. Vivem em altas altitudes, o que quase parece ser quase uma redundância semântica, uma vez que para baixas altitudes o mínimo que se esperava, por questões de igualdade de direitos, é que se chamassem baixitudes. As lhamas coexistem em harmonia com as lambisgóias selvagens, exímias produtoras naturais de chicletes sabor menta, num local mágico onde tudo é possível. Além das lhamas, a Bolívia e os demais países andinos se destacam dos demais pelos seus chapéus, que dão um ar rústico e deveras divertido ao local. Ser ou não ser, eis a questão. Ser ou não ser uma lambisgóia é mais que uma questão existencial, é, em primeiro lugar, uma questão semântica posto que, sem saber o que é uma lambisgóia, como poderei saber se quero ou não ser uma lambisgóia. Visto que até o final desse texto eu terei que tomar uma decisão, decido que opto por pensar mais um pouco. E olhe lá, parece que não, mas estamos proseando há tanto tempo e olhe onde está o texto. Quantas linhas, incansáveis, intermináveis e impenetráveis linhas não foram percorridas desde a primeira. E quantas outras mais não foram e serão percorridas desde a primeira linha jamais escrita por um homem em busca de um sentido para a vida, uma resposta para as angústias existenciais e um lugar decente para se almoçar. Decente meu Deus!! Não preciso de um restaurante cinco estrelas, apenas de uma comida boa e um preço honesto! Será pedir demais!?!?! Ola´, o que você está fazendo? Varrendo a areia da praia! E você? Estou buscando um lugar decente para almoçar. Ó céus!! Se esgotou o limite de linhas e eu ainda não sei!! Mas que lambisgóia...


O dele

_Hipopotomonstrosesquipedaliofobia... - suspirou o distinto senhor de fraque a cartola confortavelmente sentado na varanda de um bistrô confortavelmente assentado na esquina daquela cidade confortavelmente semeada às margens do Sena.


Levantou a xícara de café da mesinha redonda coberta pela toalha rendada. Susteve-a por escassos segundos à altura dos olhos enquanto refletia olhando a fumaça que escapava do café fervente e o rio que corria resplandescente ao fundo. Fungou e contorceu o rosto, a cidade fedia à decadência e o cheiro do café não era suficiente para apagar da cabeça os odores inebriantes do fim do século. A belle époque se dissolvia com os torrões de açúcar e o espírito dos homens fugiam conforme o vento assoprava rumo ao leste.

_Como se não nos bastasse tudo ainda temos a loucura. Que diabos eu estou fazendo, murmurando à toa...

Um garçon se aproximou. Passos suaves, vinte anos mal contidos, o cabelo ensebado e os trajes engomados, uma gravata borboleta meio torta e um avental lisíssimo. Era um parvo, mas o dono do restaurante considerava-o eficiente o bastante para deixá-lo a cargo das mesas e das bandejas que iam e viam. Solícito se apresentou:

_Boa tarde, senhor. Deseja mais alguma coisa além do café?

_Livros, se tiver.

O garçon riu do gracejo do distinto senhor. Pediu desculpas repletas de maneirismos e mimos e maniqueímos. O café vendia café, não vendia livros, portanto não poderia ele, um mísero garçon, oferecer ao distinto senhor que se lhe apresentava livros! Oras, que absurdo! Não sabia ele que livros se vendem em casas de livros enquanto bistrôs vendem cafés! O garçon enrubescia-se.

O senhor de fraque e cartola levantou-se. Agradeceu com ponderação, polidez e um pouco de pose. Livros deveriam vender-se em quaisquer lugares, cafés eram meros acessórios. O tempero do açúcar daquela vida eram as palavras e que pena que ele não sabia disso. Três francos.

Flanava, sentia-se abatido por não ver corresponder naquela apoteose de máquinas e notícias impressas palavras mais finas e longas. Queria que alguém lhe dissesse que dia pétreo e que plúmbeo se fazia o céu, por pés de chumbo já martelarem o chão, queria que palavras pesadas acompanhassem o espírito. Mas tudo que ouvia era orvalho e luvas, livros de etiqueta e literatura para as sombras das cerejeiras de um mundo distante e sem cinza. Ia ao médico.

Sentou-se, despiu o fraque e a cartola. Acomodou-se o melhor que podia. Cruzou as pernas. Descruzou as pernas. Apoiou as mãos nos joelhos para em seguida apoiá-las nos braços cruzados. O que o trazia ali.

_Medo, doutor. Não sei dizer. As palavras fogem de mim. Literalmente. É como se toda a humanidade tivesse medo de dizer.

O médico refreou sua verborragia. Um pouco de sensatez e menos alarmismo. Não era o fim do mundo, era o fim do século. Não havia motivo para medos desse tipo. A guerra, talvez, essa sim inspiraria algum temor por parte dos homens. Mas, palavras? Acaso o distinto senhor não gostaria de outros motivos para receio? Poderia lhe oferecer um monte se assim o desejar. Meus pacientes veem aqui todos os dias e refluem suas mágoas e suas reais angústias! Fantasias, oras...

_Mas, doutor! É isso que eu quero dizer, as palavras que as pessoas dizem não tem nada dentro, são meio signo! Desenhos desprovidos de significado! Sons soltos e sem sentido!

Levantou a mão. Gostaria de pedir-lhe que não me faça perder tempo com seus espasmos de literatura. Se quer lutar com palavras recomendo a política! Mas, doutor! Sem mas!

O consultório era agora um tanto quanto maior do que antes. O doutor também. A cadeira onde sentava-se o distinto senhor reduzia-se e o sentante acompanhava-lhe de perto o passo. As prateleiras antes repletas de enciclopédias e livros da medicina todos padronizados e encadernados em um verde musgo doentio se transformavam em tubos e seringas. Em frascos borbulhantes que refletiam em fractais e monstruosa cena que se dissolvia nos líquidos esfumaçantes.

Basta! O senhor não possui motivo algum de queixa, talvez uma ou outra paranoia, mas nada a que se dedique um médico de verdade! Se quer ajuda suma daqui! O paciente tentava, se digladiava com todas as forças que fugiam de seu corpo para reunir um fragmento de decisão e se arrancar dali.

Inútil.

As forças as palavras fugiam ao pobre homem. O medo tomava conta do seu ser. Fobias! Eu tenho fobias, doutor! Medos infundados dos quais a ciência não se ocupa. Mas eu tenho pânico, doutor! Reações desmedidas a medos infundados. Livros, doutor, eu tenho livros! Remédios inúteis para reações desmedidas a medos infundados.

E desmaiou.

Acordou no café. Olhando o Sena que se desenrolava a sua frente. A xícara esfriava. Sorveu o que restava e sossegou. O garçon estava ao seu lado.

_Deseja alguma coisa, senhor?

_Livros.

O garçon tremeu, não leio nada senhor e o bistrô não vende livros.

_Tem medo das palavras, rapaz?

_Só das grandes – confessou. Nunca lera nada, a grandiosidade da alma humana não era para ele
mais extensa do que 3 sílabas. Suspirou o distinto senhor de fraque a cartola, desconfrotável:

_ Hipopotomonstrosesquipedaliofobia...

25 de jul de 2011

Clube dos tisícos

Amigo escritor, nesse seu dia tão especial, venho aqui fazer um apelo direto: tome cuidado com a tuberculose.

É estatiscamente provado que a tuberculose mata, em média, 547x mais escritotes que o restante da população em geral e os riscos de falecr aumentam exponencialmente se o escritor em questão for um poeta.

Além de morrerem mais, os escritores são o principal grupo de risco quando se trata de tuberculose. Estima-se que, após desenvolver o hábito de escrever, a chance de uma pessoa contrair a doença aumenta em cerca de 189,45%. Estatísticas confirmam que, embora representam apenas 0,3% da população alfabetizada e cerca de 0% da população analfabeta os escritores respondem por mais de 98% dos casos de tuberculose e 100% das mortes em decorrência da doença.

Por isso, meu caro amigo escritor, se algum conhecido seu contrair a tuberculose, não de sorte para o azar. Mantenha-se distante. Escreva para ele. Você é bom nisso, ele vai gostar. Fuja da tuberculose como o diabo foge da cruz e tudo acabará bem. Abraços e um feliz dia do escritor à todos.

Este post foi patrocinado pelos Ministérios da Saúde e da Pesca.

Ministério da Pesca: porque não temos nada melhor para fazer.

18 de jul de 2011

Banco Imobiliário

O FMI emitiu ontem uma ordem judicial requisitando a penhora de bens dos Estados Unidos da América, os EUA, para evitar um possível não pagamento da estupidamente grande divída externa euasiana. Os bens euasianos deverão ir à leilão para garantir o pagamento da divida. O leilão deverá ocorrer no início de Agosto, quando se espera que os euasianos tenham tomado alguma decisão sobre o assunto.

Entre os itens mais cobiçados estariam o Arkansas, que deverá virar um parque de diversões, a Casa Branca, que é tipo um Palácio do Planalto, só que mais brega e o ator Harrison Ford que, especula-se, teria sua cidadania comprada pela Indía e mudaria seu nome para Rakesh Tata, como uma forma de incentivar a crescente indústria cinematográfica de Bollywood.


Especula-se ainda que a Rússia, se antecipando ao leilão, teria oferecido um cavalo pelo Alasca, mas desfez a oferta ao descobrir que os EUA não tinham dinheiro para dar o troco.

17 de jul de 2011

Outro dia eu achei um texto perdido no meu pc. Eu escrevi para um trabalho na sétima série. Eu achei interessante postar por que éééé, na verdade eu não sei bem porque mas deu vontade. Note que já foi pior do que é hoje.

O Assalto


Ele sabia que era algo arriscado,mas sabia também que se não tentasse,seria o seu fim, ele seria morto pela máfia russa, mas ninguém mandou ele pedir dinheiro emprestado para aqueles caras, e com esses pensamentos em mente, Joaquim foi dormir, imaginando o grande assalto do dia seguinte.
Na manhã seguinte, o assaltante acordou, pensando em tudo que havia feito as encrencas no trabalho que o haviam deixado endividado, a bebida, os jogos, falsos amigos, apenas porque havia ganhado na Mega-Sena, gastou todo seu dinheiro, ficara endividado,e para pagar essas dividas,tivera que pedir um dinheiro para a máfia russa, mas agora não havia volta, então, vestiu-se, pronto para assaltar, tomou o café da manhã e prosseguiu. Ao chegar no banco,teve a agradável surpresa de encontrar a fila vazia,então ele pôs seu capuz,seu gorro,daqueles que cobrem toda a cara,e seus óculos escuros,virou-se para o caixa e disse,com uma voz rouca,típica de pessoas que passam noites em claro preocupadas,abaixou os óculos para que o caixa pudessem ver as olheiras em seu olhar ameaçador sacou sua arma e disse:
-Passa a grana rápido e talvez você viva.
O atendente, muito assustado, rapidamente passou o dinheiro, então Joaquim pegou-o como refém e matou os seguranças do banco e correu para o seu carro, estacionado na frente do banco e acelerou para o ponto de encontro.
O oficial da policia, Jorge, já estava irritado, detestava dias calmos assim, era algo que o seu assistente, o recém recrutado Tobias iria descobrir, cedo ou tarde, Jorge esperava que fosse cedo, então, de repente, o rádio do carro avisa:
-Atenção viatura 171, houve roubo de banco seguido de homicídio e seqüestro, o suspeito esta fugindo e deve passar pelo túnel Rebouças a qualquer momento, o carro em questão e uma BMW roxa, ano 2000 placa CED-6611 e foi emplacada em São Paulo solicito que vocês a persigam, agora. “Ótimo - pensou Jorge – estou precisando de ação”.Então Jorge disse:
-Esta pronto para sua primeira missão seria na corporação, garoto?Tobias não respondeu, apenas sacudiu a cabeça positivamente.
Enquanto isso, na lagoa, após sair do túnel Rebouças, Joaquim pensou-”Essa BMW que eu comprei com o dinheiro que ganhei da Mega-Sena deve servir para me manter longe dos policias, mas agora estou atrasado e os mafiosos russos são muito pontuais”... Então, subitamente, a visão de uma viatura policial o fez perder a calma:
-Merda!Ele exclamou baixo demais para qualquer um ouvir, então pôs a cabeça para fora da janela e começou a atirar de volta, então em uma manobra evasiva, ele jogou o carro com o caixa do banco dentro na lagoa e conseguiu saltar a tempo de evitar a sua morte e salvar o dinheiro ,quando os policias se aproximaram pra averiguar,Joaquim atirou em Tobias e feriu-o gravemente, antes de virar-se para Jorge. o experiente policial já havia sacado sua pistola e acertado três tiros na cabeça do assaltante,que havia deixado seu capuz e seus óculos escuros no carro,esse então caiu morto instantaneamente,sem sentir nada,o ultimo som que ouviu foi o das sirenes das ambulâncias que vieram socorrer o policial ferido.

15 de jul de 2011

Hogwarts will always be there to welcome you home.

É difícil mudar o mundo. Ainda mais difícil mudar o mundo pela força das idéias. O que dirá escrevendo um livro de histórias infantis. Parece impossível não? Mas para um número considerável de pessoas, ontem isso foi mais verdadeiro do que qualquer coisa. Ontem foi a (pré) estréia do últime filme do Harry Potter.

"Que merda cara, e agora?" Essa frase, que não é minha, eu ouvi após o final do filme de um garoto que conheci no dia (e me disse isso quase chorando) , reflete o sentimento geral da massa de fãs. Uma massa tão aficcionada que mereceu o nome de "Pottermaníacos". Era de consentimento geral que a vida não seria mais a mesma sem aquele estranho ritual (para os de fora) das estréias, das fantasias e de esperar pelo próximo filme. Querendo ou não, todo mundo foi marcado de alguma maneira por Harry Potter.

Veja eu, por exemplo. Se Harry Potter não tivesse sido escrito, talvez eu não tivesse escrevendo aqui hoje. Afinal, o primeiro livro sem figuras que eu li foi Harry Potter e a Pedra Filosofal, quando eu tinha uns 6 ou 7 anos. Se eu já me interessava um por livros naquela idade, Harry Potter foi para mim a prova definitiva que ler era (continua sendo) muito mais legal que ver tv. A partir daí eu passei a ler (literalmente) de tudo o tempo todo. Daí para escrever foi um pulo. Ok, não exatamente um pulo, mas influenciou bastante.

Eu acho que o mais emocionante em estar lá não foi o filme em si, mas o fim da saga, por tudo que ela representa e também pela presença do "fantasma do próximo livro" durante toda minha infância.

A estréia foi muito legal. O filme idem. Mas sobre isso quem vai falar são outras pessoas. Eu me limito a agradecer por um dia ter tido contato com uma série do quilate de Harry Potter e lamentar pelas crianças que vão crescer sem esperar uma carta de Hogwarts.

Isabela : "acho que estava mais cheia do que eu esperava e a trilha sonora estava muito boa, conseguiu alcançar o objetivo, pelo menos comigo"

Letícia: "O filme foi muito bom. Pena que só aprenderam a fazer filme no último... Fiquei um pouco chateada com alguns cortes, principalmente com o do Teddy Lupin na última cena, mas nada que afete demais o filme. Quanto a estréia, tinha muita gente fantasiada, mas sempre tem um ou outro que só vão para ficar na muvuca. Eu acho que todo mundo lá tava pensando "putz, é a última vez..."

Júlia: "Eu to muito abalada com o fim de Harry Potter... to me sentindo meio vazia"

Daniela: "Eu adorei o filme, acho que foi o melhor feito. Tiveram algumas coisas que incomodaram por que  estavam erradas, ou algumas cenas que não apareceram, mas mesmo assim o filme foi muito bom e quando acabou....... bom eu me senti meio que de volta a minha infância e tendo recordações antigas, mas sei que Harry Potter fez parte da minha vida e continuara fazendo parte dela"

Mariana: "Eu só tinha lido o primeiro, mas já faz um tempinho. Gostei muito do filme, acho que vou ler os outros livros também."
 
Reynaldo: "Ainda não acredito que chorei por causa do Snape..."
 
Matheus: "Po simplesmente foi o filme mais emocionante, por que todos os atores tao num ápice emocional fenomenal, e filme carrega a infância de muita gente com ele, eles fizeram com que voce se sentisse bem vendo que tudo que voce imaginou lendo os livros foi reproduzido na telona"


14 de jul de 2011

Eu posso fazer você sentir lacerações
na carne
Eu posso fazer você se contorcer
de dor
Sentir os dentes que arrancam
seus pedaços
e mastigam lentamente sua carne
carne crua
(sem ketchup)
Eu posso fazer você morrer lenta
e dolorosamente
Eu posso ser a morte lenta
lenta e dolorosa
Eu sou o rolo compressor
o lento e mortífero rolo compressor
o terrível e inexorável rolo compressor
o poderoso e imparável rolo compressor
   e extrair
        gota
            a
          gota
                   sua essência

Mas não me leve a mal
Eu juro
           que não é nada pessoal
(Eu juro)

                      Negócios são apenas
                      isso:
                     Negócios

31 de mai de 2011

Estrófe 2

Outro dia
eu vi
um poeta andando
sozinho
no meio da rua.
Me enganei
era só um mendingo
que não fazia a barba.
Ele me mordeu

Será que é contagioso?
                 tem vacina?

18 de mai de 2011

Nós faz as língua

Após a polêmica envolvendo a publicação da frase "nós pega os peixe" em um livro didático, o MEC anunciou hoje que defende uma nova reforma ortográfica. Esta reforma dividiria a língua portuguesa em duas: a norma culta e a norma inculta, tornando a língua portuguesa mais "democrática, brangente e cessível".

"Nós não somo os dono da verdade, a cada um cabe falar como ache necessário, seje ou não gramaticamente correto. Nossa meta é incrui as populção falante, incrusível as excruída" disse uma fonte de dentro do MEC.

Para o MEC, é vital que essas reformas seje feitas, pois elas tornariam o acesso às universidades mais facilitado, com o candidato podendo escolher, no ato da excrição, a sua norma mais favorita para ser usada na redação.

"Todos esses negóço de encrise, mesocrise era muito comprexo, agora cum a nova norma nos vai rebentá cum certeza!" Disse um animado rapaz que não quis ser identificado para nossa reportagem.

A divisão visa torna regular, ou não, formas já consagradas na linguaje popular, como cunjuto, friltada e, inclusive, em um passo ambicioso, estabelecer uma diferença entre pobrema e probema.

O Sindicato dos Professores de Língua Portuguesa Pura e Aplicada (SinProLPPA) já mandou uma nota de protesto contra o MEC afirmando que "teme pelo futuro da juventude, da língua e dos emprego dos seus membro"

3 de mai de 2011

A morte e a morte de Osama Bin Laden

Morreu. Acabou. Comeu capim pela raiz. Ok. Não foi exatamente capim. Mas vocês entenderam a mensagem. Morreu neste domingo o grande ícone da jihad, a guerra santa muçulmana. O líder da Al-Qaeda e inimigo número um do "mundo livre" Osama Bin Laden foi assassinado na sua residência/esconderijo secreto/covil/toca do lobo/batcaverna/cafofo por soldados do SEAL, a tropa de eleite americana. Não sem motivos, diga-se de passagem.

Foi muito estranho quando eu soube da morte dele. Afinal, mais que um terrorista jurado de morte, Osama foi um personagem da minha infância. Pode parecer esquisito, afinal não sou euasiano e nunca morei nos Estados Unidos, mas eu ainda era criança quando os atentados ocorreram. E eu cresci sabendo, meio que inconscientemente, que ele estava escondido na Osama-caverna tramando algo contra o Ocidente. Tipo, em quem eu vou botar a culpa agora?  E agora eu me sinto mais ou menos como quando acabou Harry Potter. Fica aquele sentimento de "e aí, quem vocês vão perseguir agora?"

Porém, essa mesma morte que me causa estranheza também levou o povo euasiano às ruas para festejar. E não poderia ter vindo em melhor hora para o presidente Obama.  Afinal, com a popularidade em baixa, ele ganhou um presentão: a morte do "inimigo público nº1" caiu na conta dele. E se o Bush, famoso por muitas qualidades mas não por sua habilidade retórica, conseguiu se reeleger apenas na ameaça de pegar Osama, acredito que Obama, sendo o político habilidoso que é, viu suas chances de reeleição aumentarem exponencialmente. E de quebra, a morte do Osama serviu para outro propósito: jogar por terra as teorias de conspiração que ligavam o governo norte-americano à Al-Qaeda.

Quer dizer, mais ou menos. Já tem gente dizendo por aí que duvida da morte dele. Ouvi inclusive alguém comentar alguma coisa sobre uma possível trégua, envolvendo uma sumida de Bin Laden. Eu acho isso bem difícil. E não é porque a rede terrorista tenha negado a morte de Osama. Isso era óbvio e esperado, afinal ninguém em sã consciência admitiria que seu líder escondido morreu. É mais proveitoso deixar viver o mito de Obama Osama. Eu só acredito que os euasianos não dariam esse mole. Até porque, a Al-Qaeda deseja a jihad (guerra santa) e, certamente, caso tal acordo tivesse ocorrido, uma semana depois o Osama apareceria ao vivo cantando Like a Virgin no Caenegie Hall. Ok, talvez ele fizesse apenas um pronunciamento. Mas seria um show épico.

Embora eu reconheça que a história em si seja um pouco esquisita e muito obscura, eu acho que a única chance que o Osama tem de estar vivo é em alguma base militar euasiana sendo torturado interrogado. O que na prática equivale a estar morto.

Mas aos mais céticos, resta ainda o recurso da espera. Afinal, a vingança não deverá tardar. E, se eu fosse chutar, um palco provável para algo bem grande acontecer à curto prazo, eu chutaria Europa. Afinal, trata-se de um continente aliado aos EUA em sua quase totalidade, possui um grande fluxo de turistas, países que apoiaram a invasão do Iraque e, portanto, alvos justificáveis, células terroristas estabelecidas e, principalmente, liberdade de fluxo de pessoas entre fronteiras, o que facilita a locomoção dos possíveis envolvidos.

Mas não podemos pensar que o Brasil estará seguro por muito tempo. Afinal, os principais eventos internacionais dos próximos anos serão: Copa do Mundo e Olimpíadas. E eu não consigo imaginar uma ocasião melhor que uma final entre EUA e Inglaterra num Maracanã lotado para a Al-Qaeda vingar a morte de seu líder.

No seu discurso, Obama anunciou que o mundo é "um lugar melhor" sem Osama. Pode até ser. Mas tudo que é bom dura pouco. Por mais que sua morte tenha gerado um estado de euforia, a tendência é que piore. Afinal, não se trata de uma guerra entre Osama e Obama, mas sim um conflito não declarado entre Ocidente e Oriente. E o lugar deixado por Osama não tardará a ser ocupado.

5 de abr de 2011

joão trabalhava na sessão de frios de um supermercado. Cortava e pesava e etiquetava e embalava presunto todos os dias o dia todo. João era casado e pai de três filhos. Gostava de futebol e de ir ao estádio nos finais de semana. João era torcedor do américa. joão trabalhava pegava três conduções para cortar e pesar e etiquetar e embalar o seu presunto de parma. João gostava de pagode e de empinar pipa com as crianças. O salário de joão mal comprava pão e quanto mais os presuntos de parma que ele cortava e pesava e embalava e etiquetava todos os dias. Os filhos de João estudavam numa escola pública. Tinham mais alunos que cadeiras. Por isso que joão todos os dias pegava três conduções e cortava e pesava e etiquetava e embalava seu presunto de parma. joão era o empregado do mês, seu desempenho era exemplar. João não tinha mais tempo para a mulher e para as crianças e para o futebol e para o pagaode e para a pipa. joão era um leão no trabalho. Em pouco tempo ganhou uma promoção e passou a trabalhar mais e ganhar menos. João não tinha mais tempo para sua mulher e ela pediu o divórcio e por isso ele nunca mais viu os filhos e nem as pipas e os estádios e o seu querido américa. Mas pouco importava. joão era o empregado do século. joão trabalhava e cortava e pesava e etiquetava e embalava em ritmo industrial. joão era uma tábua de frios.

joão virou um arquivo de metal.

29 de mar de 2011

míni Houaiss

Integralmente adaptado a reforma ortográfica

Mais de 30.000 palavras e locuções
Edição revista e aprimorada
Separação silábica
Indicação de timbre e sílaba tônica
Pronúncia figurada de palavras estrangeiras
Femininos, aumentativos
e diminutivos regulares
Plurais irregulares e de palavras compostas
e estrangeiras
Antônimos e sinônimos dentro dos verbetes
Exemplos de uso
Classificação temática
Coletivos e vozes de animais
Modelos de conjugação verbal
Gramática e uso (crase, hífen, pontuação,
formas de tratamento etc.)
Termos de informática, internet e tecnologias
Quadro de países, povos, línguas e moedas
Tabela periódica de elementos quimícos
Recomendado para uso escolar

8 de mar de 2011

Zé and Alcidess Produções Inc. e Cia. Ltda.


Eu sei que parece estranho uma tira por aqui, mas essa não é uma tira qualquer. Essa tira foi roteirada por mim e desenhada pelo Alcidess, do Pcep, em mais uma parceria nossa (Não esqueçam do Colt.)

Boa noite e não esqueçam de dar uma passada por lá: http://tirinhaspcep.wordpress.com/

2 de mar de 2011

A Saga do Zé Vidente[2]

Caro leitor, um de nós dois é vidente. Acho que sou eu.





1 de mar de 2011

E o jasmim?

Interrompemos nossa programação (a)normal para um post inesperado de última hora.

Não é novidade para ninguém o que está acontecendo na Líbia. Caso seja, por favor, procure ler um pouquinho, se informar o acerca dos caóticos acidentes no mundo arábico. Caso você esteja com preguiça e ache jornal "muito chato", por favor, tenha um pouco menos de preconceito e pelo menos vá ler os quadrinhos e deixa a gente em paz.

Enfim, indo direto (mas não muito) ao assunto. Como nós, leitores de jornal e pessoas atentas ao segundo parágrafo possivelmente sabemos ( no minímo desconfiamos) a situação está razoavelmente caótica na Líbia. Eu digo razoavelmente porque se a coisa tá toda bagunçada agora, imagina semana que vem, que é carnaval?

Agora, folias a parte, para você que acabou de ler os quadrinhos agora, voltou e continua sem entender nada (mas pelo menos se divertiu um pouco) eis um resumo da situação.

Há mais ou menos uns quarenta e dois anos, aproximadamente, a Líbia não era governada por um presidente lunático com delírios de grandeza. E sim por um rei. O que não excluiu necessariamente a possibilidade do rei também ser lunático. Um dia, o então coronel Kadafi e alguns amigos do exército deram um golpe de estado que pôs o supracitado coronel como presidente ditador líder do povo líbio. Quarenta e dois (43) anos mais tarde (hoje), após o reflexo dos movimentos populares em outros países do mundo arábe, como Tunísia e Egito, ter chegado ao seu país, Kadafi enfrenta uma guerra civil, perdeu mais da metade de seu país, os principais poços de petróleo de seu país, está assistindo a luta chegando a capital, Tripoli e, naturalmente, corre risco eminente de morte horrenda, apesar de clamar em alto e bom som que seu povo ainda o ama, no melhor estilo Ceausescu. E, para piorar a situação, até sua inseparável enfermeira loura voluptosa ucrâniana o abandonou! É ou não é de matar?

Você deve estar se perguntando aonde encontrar fotos da tal enfermeira, certo? Não se preocupe, eu já encontrei. Compatíveis com o horário é claro. Ah! Não esquecer que a enfermeira loura voluptosa ucraniana é a loura voluptosa e não o velho com uniforme do exército.

Então, porque tudo isso? Não ficou claro ainda? Kadafi é um exemplo de superação e otimismo! Uma lenda morta-viva! Mesmo quando até sua enfermeira loura voluptosa ucrâniana o abandonou ele se manteve sorrindo e sempre em frente! Com frases inspiradoras como "Vou armar o povo líbio!" e "Vou morrer lutando porque sou cabra hômi!" Kadafi mantém sempre seu infinito bom humor, levantando o astral dos seus coleguinhas mesmo em meio as adversidades! Parabéns para você cara! Seja sempre esse grande companheiro e siga lutando!






(Voz do Alec Baldwin-Inglês opcional)

Oi. Ok, espero que ninguém tenha levado isso a sério. Se você levou isso a sério, estou profundamente decepcionado com você. E daí que você achou q fosse acabar? Do jeito que anda, isso aqui não acaba antes de amanhã. Se você achou que eu ia dar uma volta ao mundo apenas para falar que o Kadafi era exemplo para alguém, seu lugar não é aqui, conosco. Você pertence aos quadrinhos.

(Fim da Voz do Alec Baldwin-Português obrigatório)

Então, porque eu fiz você passar por tudo isso mesmo? Na verdade, foi mais de brincadeira mesmo. Se você sabe realmente o que está acontecendo na Líbia, podia ter pulado direto para cá. Sério. Esse não é um post resumo nem um post "amamos Kadafi", mas sim um post "o que o Zé acha disso".

E o que eu acho disso? Muita coisa.

Em primeiro lugar: Kadafi. Ele fez por merecer. Logo que ele começou a atirar em manifestantes pacíficos, o Mundo percebeu que tinha tudo para dar errado. E deu. Um a um, os antigos "aliados" de Kadafi foram metendo o pé. Exceto o inexplicável Hugo Chávez, o Hugito.  A ONU o defenestrou de seu Conselho de Direitos Humanos. E sua credibilidade foi reduzida a zero. Se bem que credibilidade ele nunca teve. Ele só teve/tem dois amigos leias até hoje: petróleo e seu exército de mercenários.

Ah! O petróleo! Aquele liquído mágico de levantar economias! O bálsamo negro puro que cura todas as feridas diplomáticas!

Pelo menos ele ainda tem o petróleo, certo?

Errado.

Os principais poços estão em poder dos guerrilheiros, o que me leva ao segundo ponto: manifestantes.

O que começou como uma série de manifestações pacíficas virou uma guerra civil. Kadafistas de um lado, anti-Kadafistas de outro. E a coroa de louros, é claro, é o petróleo. O que vai sair da Líbia? Ninguém sabe. Estamos prestes a abrir a Caixa de Pandora agora. Pode ser que saia um regime democrático pleno, lindo e maravilhoso. Assim como pode haver apenas uma substituição de ditaduras, que me parece a hipótese mais provável, dadas as circunstâncias.

O que nos trás ao tópico número três: Líbia e o mundo.

São as tais circunstâncias. Ontem, os Estados Unidos movimentaram navios e aviões na direção da Líbia e David Cameron, primeiro ministro britânico, sinalizou com a possibilidade de uso de força militar. Hoje, EUA já tem mais dois navios sendo estrategicamente posicionados. Um deles é com capacidade para carregar 2000 fuzileiros. Além disso, Hillary Clinton cobrou uma atitude mais forte e estratégica dos EUA em relação a Líbia.

Meu palpite? Em no máximo duas semanas, caso Kadafi não caia, EUA e Reino Unido vão anunciar uma invasão conjunta, estilo Iraque, e fazer o serviço sujo em nome da democracia, liberdade de expressão e da Coca-Cola.

Se Kadafi cair, eles vão entrar do mesmo jeito, mas para evitar que a Líbia se torne uma nova Somália. Porque, se uma Somália com piratas incomoda, imagine uma Somália com petróleo, altamente armada e às portas da Europa.

A Líbia, já faz tempo, é um dos membros-fundadores do "Eixo do mal", a lista negra dos Estados Unidos, composta por regimes altamente instáveis, potencialmente nocivos, donos de reservas petrolíferas e  Cuba.

Tudo que os EUA mais precisavam era de um pretexto para entrar quebrando todo mundo. E claro faturando alto em petróleo.

E, naturalmente, entrando de sola em mais um atoleiro militar.

Mas tem gente que nunca aprende.

11 de fev de 2011

A queda e a queda de Hosni Mubarack

Boa noite, para você que estava na Terra durante os últimos dois meses! Hoje é um grande dia! Para você que por acaso esteve em algum outro planeta sem internet ou em Cabo Frio, sinto muito mas não é sua hora. Quem sabe no post que vêm?

Agora, para as pessoas que realmente sabem o que está acontecendo, hoje é um grande dia! Enfim a liberdade chegou ao Egito. A revolução triunfou e Mubarak meteu o pé.

Esse dia será para sempre lembrado. Literalmente estamos testemunhando a História se desdobrar hoje. Daqui a cem anos lembraremos da ousadia dos jovens egípcios que ocuparam a Praça Tahrir, no Cairo, durante 18 (!) dias em condições precárias, dormindo em barracas, comendo mal e enfrentando ataques de opositores armados com paus e camelos.

Dezoito dias de guerra, entrincheirados em suas barracas e se defendendo com pedras diante de um Exército que se fazia de impotente.

Após esses dezoito dias, cada segundo de tortura valeu a pena. Cada gota de suor foi bem investida. O sangue de mais de 300 pessoas não foi derramado em vão. Tudo valeu a pena pela euforia que agora toma as ruas de Cairo.

Poucas vezes um movimento popular de oposição (expontâneo) foi tão coeso e teve força para aguentar o que esses jovens aguentaram. Eles disseram que não iriam sair antes de Mubarak e fizeram valer suas palavras. Cada um deles será agraciado com um passaporte VIP para a História e o orgulho (eterno) de ter participado da Revolução.

Os egípcios mereceram sua liberdade. Parabéns para eles e que seu futuro possa ser tão brilhante quanto merece e que os ecos da Revolução se perpetuem através da eternidade e sirvam sempre de inspiração para as gerações futuras!

7 de fev de 2011

Penas alternativas para crimes alternativos

  Muito se foi dito sobre penas alternativas. Fala-se da necessidade delas para reduzir a superlotação carcerária, desencorajar crimes sem o uso da força bruta, reabilitar prisioneiros e, é claro, divertir os cidadãos que estão dentro da lei. Pensando nisso tudo, o Potemkin orgulhosamente apresenta penas alternativas perfeitamente viáveis para o nosso país. É claro que elas só funcionam se devidamente aplicadas, ou seja, nada de ficar passando a mão em cima de bandido!

1) Baseado no famoso Método Ludovico do clássico Laranja Mecânica, mas com um algo a mais capaz de tirar qualquer um do sério.



2) Alistamento obrigatório
Uma excelente idéia. Certos crimes, a partir de agora, serão passivos de alistamento obrigatório, com o criminoso mandado para zonas de guerra/missões de paz/morros cariocas. Desta maneira, o Brasil poderá manter sempre um alto contingente na ativa e se morrer,bem, aí vale como pena de morte.

3) Anderson Silva
Seguindo o princípio da reciprocidade, essa é a pena ideal para playboys metidos a lutadores profissionais e outros tipos de espancadores que andam em grupo. Três rounds solo no octógono com Anderson "Spider" Silva devem ser o suficiente para demover qualquer um de sair por aí dando porrada a torto e a direito, além de imobilizá-los por alguns meses. Não conhece Anderson? Não tem problema, assista abaixo o que ele é capaz de fazer.


4) Ler para os surdos
Uma ação de caridade. Os surdos, coitados, não podem ouvir audiobooks, por isso o delinquente seria forçado estimulado a ler Crime e Castigo até que todos os surdos decorassem o nome e as caracteristícas de todos os personagens. Sem ajuda, é claro.

5) Polichinelos eternos
Quem gosta de pagar polichinelos? Ninguém é claro. A adoção dos "polichinelos eternos" se basearia em uma matemática simples: Cada ano de cadeia equivale a 500.000 polichinelos. Detalhe importante: eles tem que ser feitos em uma sequência initerrupta e caso o preso se canse, ou o "contador de polichinelos" perca a conta, tudo recomeça.


Queria aproveitar para agradecer a contribuição do amigo Alcidess, que já é velho conhecido dos meus leitores e de vez em quando da uns pitacos e o Godinho, que não tem blog nem nada, mais é um leitor fiel e sempre me dá os parabéns quando gosta de um texto. Valeu pessoal!

1 de fev de 2011

Diferentes maneiras de dizer : "Tem luz no fim do túnel"

Otimista: "Olha lá gente! Tem luz! O túnel tá no fim!"

Pessimista: "Que saco. Luz. Aposto como é um trem."

Suicida: "Olha! Luz! Tomara que seja um trem!"

Politíco: " Se for eleito, prometo comprar mais túnel."

Sherlock Holmes: "Elementar meu caro Watson. Se há luz é porque estamos no fim do túnel."

Cego: "O que é luz? E porque ela está no fim do túnel?'

Filósofo: "Há luz no fim do túnel, ou será que aquele não é o começo?"

Fotofóbico: "AAAAAHHH!!! LUZ!!!! NÃO!!!! Alguém aí tem óculos escuros?"

Google Maps: "Vá de caiaque até o fim do túnel."

Ufólogo: "Eles falaram a vida inteira que eu era maluco! Mas ali está a prova definitiva! Um OVNI! HAHAHAHAHA!!Espera aí... É só luz no fim do túnel..."

Almirante Ackbar: " It's a trap!"

Stalin: "Я люблю русских букв они очень весело."

Lula: "Companheiros e companheiras, nunca anteff na Hiftória deffe paíff fe viu um túnel que tiveffe tanta luf e luf de qualidade para todo o povo. Effa é mais uma conquifta noffa!"

Redundante: "Tem luz no fim do túnel."

Confuso: "Tem túnel no começo da luz."

Perdido:"A luz tá pra direita ou pra esquerda?"

Teoria da conspiração:"Aposto que é uma bomba americana."

Egípcio: "Mubarak saiu!!"

Deus: "Faça-se a luz no fim do túnel"

31 de jan de 2011

Que vilão seria seu (ex) presidente favorito?

Queria esclarecer alguns detalhes. Eu só vou lidar com os presidentes eleitos de 85 para cá. Não tenho tempo para fazer um levantamento de todos os presidentes do Brasil (mas se me pagarem eu aceito). No final, uma surpresa e uma "homenagem" aos políticos. Sem mais delongas, eis aí meu texto!

José Sarney: Provavelmente o mais fácil. Sempre por cima, sempre no poder, há mais de 50 anos apoiando o presidente, qualquer que seja. Um homem como esse acumula muito poder. E pelos métodos que ele emprega, podemos facilmente compara-lo a... Don Corleone. Isso mesmo, o Poderoso Chefão. Um homem que sabe escolher seus aliados, compensá-los com favores e punir seus inimigos. Graças a essa capacidade o Don Corleone tropical chegou novamente ao comando do Senado e é praticamente impossível governar sem tê-lo como aliado. Azar da Dilma.

Fernando Collor: Um homem ambíguo. Por um lado, foi um presidente radical. Chegou ao poder com a alcunha de "caçador de Marajás" e uma imagem de cara super legal. Um presidente jovem e esportista que falava de igual para igual com os líderes das outras nações. Sua política econômica foi revolucionária e continua valendo até hoje. Por outro lado, roubou até cansar e depois roubou mais um pouquinho, mas cometeu o erro crasso de não dividir o butim com o resto do pessoal, mas sim com uma minoria seleta. Como resultado, tomou um impeachment, após ver a juventude brasileira tomar as ruas contra ele. Para um personagem tão ambíguo, ninguém melhor que Harvey Dent, o duas caras do Batman. Como promotor, foi aclamado herói de Gotham City e prometia revolucionar a cidade e pulverizar os indíces de criminalidade. Porém, após virar o Duas Caras, ele vai contra toda a sua luta apenas para aumentar o número de hóspedes do asilo Arkham e, quem diria, passa a ser odiado por quem outrora o idolatrava.

Itamar Franco: Ah, grande Itamar, que trabalho você me deu. Foi díficil arranjar um vilão que encaixasse no perfil de Itamar, mas por fim eu consegui. Itamar Franco, apesar de ter sido presidente durante o lançamento do Plano Real, não ficou com os louros da vitória. Essa parcela coube ao FHC, então Ministro da Fazenda. E até hoje, Itamar é mais lembrado pelo seu topete, assim como o obscuro Síndrome, do filme Os Incriveís (dica do Alcidess). Na história, Síndrome é um mega-gênio não reconhecido que tenta acabar com os super-heroís para finalmente obter reconhecimento. No final da história, restou apenas seu topete

FHC: O princípe dos sociólogos. Um cara rico, elegante, bem sucedido. Todos apostavam alto no governo FHC, que havia acabado de lançar o plano real. O governo foi até bom considerando o turbilhão que se passava no mundo, mas deixou a desejar justamente no quesito que todos esperavam: honestidade. Todos sabemos que politíca não é jogo de virgens, mas FHC destruiu de uma maneira inimagínavel assim como o... Duende Verde. Supervilão do Homem-Aranha, é na verdade um garoto rico, inteligente, bem-sucedido e com um belo emprego e crédito internacional que não o impediram de explodir coisas.

Lula: Um vilão improvável, dado ao seu histórico. Todos acreditaram que ele ia "entrar para somar", reequilibrar a balança do poder e acabar com a corrupção. Mesmo sendo corrupto igual aos outros, se "redimiu" ante a população com o Bolsa-Família e entrou para História como herói, assim como... Darth Vader. Vader é com certeza o vilão mais famoso da História do cinema. A Marcha Imperial causa arrepios em nove de cada dez nerds. Mas como Lula, ele não nasceu para ser vilão. Anakin Skywalker era o escolhido, que deveria destruir o lado negro e trazer equilíbrio à Força. Além de possuir a mesma voz de Lula, ele também se redime, embora para valer, matando o Imperador. Sem contar a famosa frase: "Dilma, eu sou seu pai."

Dilma: Eis aqui a surpresa! Vou traçar um perfil de Dilma Roussef. Inflexível, nossa dama de ferro não aceita critícas de seus subordinados e não hesita em fritar quem a desafia. Impossível esquecer que ela fez Sérgio Gabrielli, da Petrobrás, chorar, por exemplo, quando era "apenas" Ministra da Casa Civil. Seu temperamento lhe rendeu alcunhas como: Dilmandona, Dilmachona e Larry. Sua maneira de tratar os subordinados e a decisão com a qual galga degraus mais altos na escala de poder lembram... Victor Von Doom, o Dr. Destino, do Quarteto Fantástico. Obcecado pela idéia de poder, sempre foi um chefe inflexível e após adquirir seus sinistros poderes, não hesitou em fazer picadinho dos que não concordassem com ele.

E, embalado pelo som viciante dos Titãs, eis aqui minha pequena homenagem aos nossos queridos politícos que tanto lutam por nós na Câmara. Boa noite e espero que tenham gostado

29 de jan de 2011

C.M. Nightingale

Colt Nightingale. Não se espante se você ainda não conhece o nome. Trata-se de um romance policial que eu estou escrevendo com o Alcidess, do Pcep.

Você deve estar imaginando que não é o tipo de coisa que eu faria. Realmente, eu não faria em circunstâncias normais. Mas a idéia dele foi simplesemente muito boa para deixar passar. Funciona assim: eu escrevo um capítulo e ele escreve outro, mas a gente não conversa entre si e nenhum dos dois sabe o que o outro planeja. Ou seja: caos total.

Caso você esteja interessado, o link é esse: http://cmnightingale.wordpress.com/

Caso você não esteja interessado, o link continua o mesmo, porque ninguém liga para você.

Por enquanto é só.

27 de jan de 2011

Encaixotado

Alguma vez eu li ou vi em algum lugar que a civilização humana podia ser descrita como uma civilização de caixas. Moramos em caixas, todos os dias de manhã pegamos uma caixa que se move para passarmos o dia inteiro em outra caixa e depois voltarmos, via caixa ambulante, para nossa caixa-moradia e ficarmos sentados em frente a uma caixa.

Poderíamos atualizar essa frase dizendo que hoje em dia mais e mais pessoas passam os dias em frente a um conjunto de duas caixas e através delas eles visitam as caixas de outras pessoas de todo o mundo, mas isso seria desnecessário. Não só porque a frase original já está boa desse jeito, mas principalmente porque isso não afeta o texto diretamente.

Na verdade, todo esse papo de caixas não afeta tanto o texto quanto se poderia supor. Estou aqui falando (ou escrevendo) sobre outro tipo de caixa, que igualmente afeta as pessoas. Porque, não obstante morar em caixas, a maior parte das pessoas se tranca em sua própria caixa individual. Melhor dizendo, essa "caixa" é uma proteção que a maior parte das pessoas ergue sobre si própria.

E como funciona essa "caixa"? É simples. A maior parte das pessoas se limita ao que eu chamo de caixa. É como uma barreira imaginária. Dentro está todo o seu universo conhecido. Tudo que é bom e amistoso está nessa "caixa". Do lado de fora está o que supostamente nos faz mal, o desconhecido.

A caixa tem, portanto, a função de proteger a gente do que consideramos ameaçador. É como as muralhas de um feudo mediaval. Ela determina o bom e o ruim, o que é nocivo e o que nos faz bem.

Por questões de prudência, as pessoas raramente fazem algo que desafie os limites da caixa. O que explica, por exemplo, o apego às origens e outras coisas, a dificuldade que as pessoas tem de se lançar em novas experiências e a facilidade com que ficamos paranoícos.

Não há necessidade de censurar as pessoas por criarem estas barreiras ao redor da mente. É um instinto mais que útil, principalmente se formos considerar que o Mundo ainda é um lugar selvagem, por mais que insistamos no contrário.

Na verdade, o problema existe quando se leva a caixa às últimas conseqüências e o medo do desconhecido nos impede de cruzar os limites da caixa. Quando isso ocorre, perdemos uma das marcas do ser humano, que é a capacidade de experimentar e descobrir coisas novas. Nos tornamos reféns da caixa. Ao invés de proteger, ela passa a limitar as pessoas. E as pessoas começam a ficar paranoícas. Começam a acreditar em qualquer coisa e a desconfiar de tudo que está do "lado de lá". E, sem antes averiguar, tomam como verdade absoluta tudo que a "caixa" determina.

No fim das contas, é o que mais se vê por aí: pessoas presas aos seus antepassados, aos seus costumes antigos e aos seus temores mais imbecis. São pessoas que não conseguem deixar o passado para trás e se acomodam no mundo da sua infância. Pessoas que conservam manias em menor e maior grau e que, em último caso são engolidas junto com o passado que jamais conseguem deixar de lado.

São pessoas que se isolam do mundo e vivem em seu próprio faz de conta. Pessoas que esperam que o mundo se adapte a elas e não o contrário. Pessoas facilmente qualificaveís como malucas ou paranoícas.

Prevenção é sempre importante. Após algumas experiências ruins, é natural que se evite a causa do problema. O que é prefeitamente irracional e, por incrível que pareça, normal, é que as pessoas inventem experiências ruins como desculpa para fazer valer os limites que impôs.

Afinal, não terá valido a pena viver se no final das contas você nunca quebrou a cara terrivelmente. A vida como ser humano não vale a pena se você no final dos seus dias perceber que nunca se questionou, nunca duvidou de si mesmo, do que estava fazendo ou do que era a vida. Mas isso não se faz sentado de dentro da caixa.