3 de out. de 2012

Eu suponho que meus leitores mais atentos notaram que eu estive ausente esta semana.

Explico: fazia provas na faculdade. Muitas provas. E tive que ler centenas de textos. Não me sobrou tempo.

Este post é só para avisar que já estou pensando em uma maneira de os recompensar pelos transtornos.

Me aguardem.

23 de set. de 2012

A campanha do Freixo não faz o menor sentido.

É absolutamente irracional que um candidato com um minuto e meio de tv continue crescendo nas pesquisas.

É contra todo os pressupostos básicos da lógica que um comício realizado na Lapa, em plena sexta feira a noite sob uma chuva pesada, reuna quinze mil pessoas.E o pior: nenhuma delas foi paga para isso.

E é inaceitável que essas quinze mil pessoas sejam apenas uma pequena fração de uma massa viva e pulsante que não para de crescer.

É inadmissível que esse movimento continue se espalhando. Mas ele não vai parar. 

Não vai parar porque, acima de tudo, é movido a esperança.

A campanha de Freixo não faz o menor sentido porque ela escapa completamente aos domínios do que é racional.

Ela representa a mudança. Uma nova política, diferente de tudo que veio antes.

Embarcamos nessa primavera porque, acima de tudo, ela sintetiza tudo aquilo que queremos para nossa cidade.

Muitos dos que reclamavam da pouca participação da juventude na política agora apontam dedos acusadores para nós e dizem que somos alienados e que, por não saber o que queremos, seguimos o candidato da moda.

Podemos até não ter a menor idéia do que queremos. Mas sabemos exatamente o aquilo que repudiamos: a política tradicional do toma lá da cá e tudo aos amigos e a lei aos inimigos.

Pode ser que seja um equívoco.

Mas tem mais valor fazer uma aposta arriscada que permanecer eternamente no mesmo erro.

19 de set. de 2012

Vejam só. Está chegando aquela época do ano em que o Potemkin faz aniversário. E, afim de mantermos nossa nobre tradição, eis aqui mais um post comemorando a data.


TCHAN
Com a já tradicional stripper do Potemkin. Afinal, tradições estão aí e deveriam servir para outros propósitos que não sejam relacionados a famílias, presentes e experiências traumáticas relacionadas a empadões de frango.

Como, felizmente, nenhum empadão de frango jamais foi mencionado neste blog, creio que seria um momento adequado para retornarmos ao propósito deste post: nenhum, como de praxe.

O que me lembra que, dia desses, surfando pelas estatísticas do Blogger, descobri que tive mais de 100 visitas em julho de 2009. O que acredito que revela muita coisa sobre a capacidade do Blogger de gerar estatísticas confiáveis.

Mas eu fiquei pensando: e se o Potemkin tiver sido criado em julho de 2009 e eu não fiquei sabendo?

Aliás, seria bem condizente com o espírito errante deste blog, durante três anos seu aniversário na data errada. O que me deu uma idéia: comemorar o aniversário do Potemkin em datas diferentes todos os anos. Me aguardem.

O mais estranho de chegar aos 3 anos com o blog é a sensação de velhice, mais intensa do que deveria ser. 3 anos em anos de blog devem equivaler a uns 120 anos de humanos. Só isso explica a altíssima taxa de mortandade entre blogs contemporâneos ao meu.

Muitos blogs bons - inclusive alguns que me serviram de inspiração no começo - estão abandonados ao relento. A sensação que dá é a de que eu sou uma espécie de último dos moicanos, só que como blogueiro, o que é bem menos legal.

E continuarei envelhecendo, aos trancos e barrancos, até o dia que o Potemkin perder a graça.

O que, na conta da maioria dos especialistas, não acontecerá nunca uma vez que, para que se perca algo, é necessário antes tê-lo.

Traduzindo brevemente: os senhores terão que me aturar eternamente.

Até o próximo aniversário na semana que vem.

Digo, no ano que vem.

16 de set. de 2012

Durante um período da minha infância eu tive medo de ser abandonado pelos meus pais.

Isso não tem nada a ver com eles. Eles são pessoas muito boas para falar a verdade.

É só que uma vez a gente foi num orfanato, para levar uns brinquedos, roupas, comida e, evidentemente, brincar com as outras crianças.

Na época, eu devia ter uns cinco ou seis anos.

E havia um rapaz, cuja idade eu desconheço, mas certamente parecia mais velho que eu.

Devia ter uns oito anos. Mas poderia ter o dobro.

Na hora de ir embora, eu disse tchau. Ele disse até a próxima. E se não houver próxima vez? Vai ter sim. Sempre tem. Todo mundo acaba aqui. Uma hora seus pais morrem ou te deixam aqui.

Essas palavras tinham o peso do mundo na minha cabeça.

Ele era muito mais cético do que uma criança tem o direito de ser.

Muitas memórias dessa época já não me pertencem mais. Ou perambulam pelo meu subconsciente longe do meu alcance.

Mas eu não vou, jamais, conseguir esquecer a desesperança nos olhos desse rapaz.

Não sei o que foi feito dele.

Acredito que nunca saberei.

Mas é provável que já esteja morto e enterrado.

Presumivelmente, longe de seus pais.

15 de set. de 2012

A gerência

Então, como se tornou perceptível nos últimos dias, eu não estou mais conseguindo postar diariamente. Essas coisas levam tempo para serem escritas e o blog o estava consumindo em demasia.

Não vou dizer que não dava para postar todos os dias porque dá, sim. Mas fica muito puxado.

Ao mesmo tempo, tenho consciência do fato de que este blog não pode ficar abandonado como estava antes.

Por isso, decidi postar as quartas e domingos agora. Além de posts extraordinários, caso sejam necessários.

Obrigado pela compreensão.

12 de set. de 2012

A democracia vem a cavalo

Os líbios acabaram de garantir uma passagem só de ida para a democracia.

Eu não sei se foi planejado ou espontâneo, mas foi certamente idiota. Atacar um consulado está no topo da lista de "10 coisas para se fazer quando se quer começar uma guerra". Atacar um consulado dos Estados Unidos, em condições normais, já seria algo próximo do suicídio. Ainda mais na Líbia e ainda mais nas conjunturas atuais.

Se tivesse um bolão para qual país seria invadido pelos EUA após a primavera árabe, eu apostaria pesado na Líbia. Tem todos os pré-requisitos básicos: instabilidade, risco ao Ocidente (muito perto da Europa) e, principalmente, petróleo. E agora eles tem um pretexto.

Não o mais forte dos pretextos talvez, mas com a opinião pública - uma força extremamente poderosa nos EUA, ainda mais em época de eleições presidenciais - clamando por justiça, Obama não terá outra opção a não ser entregar, numa bandeja, a cabeça dos assassinos. Ou os americanos elegerão quem o faça.

Em tempo: provavelmente foi algo planejado, afinal são poucas as pessoas que andam, habitualmente, com morteiros e lançadores de granadas. Mas, cobrindo a pequena possibilidade de ter sido espontâneo, eu gostaria de saber: quem foi o imbecil que decidiu levar morteiros para uma passeata contra um filme anti-Islã.

P.S: Acho que não causaria dano nenhum à imagem da comunidade muçulmana se eles parassem de atacar embaixadas sempre que alguém fala alguma coisa de Maomé.

11 de set. de 2012


Eu nunca consegui entender esses arquitetos. Quem projeta um prédio com o vão das escadas dando no saguão? É tão feio.

Mas daqui de cima eu consigo ver todas as pessoas.

Elas estão ocupadas.

Cada uma vivendo sua vida. Em silêncio. Sozinhas. Pouco importa quem está ao meu lado (existe alguém ao meu lado?).

Uma vez inventaram o próximo. Foi uma péssima ideia.

E lá embaixo as pessoas seguem indiferentes. Ninguém ri, ninguém chora, ninguém liga. E, acima de tudo, ninguém grita.

Ninguém, absolutamente ninguém, jamais gritou dentro deste prédio. Estamos entretidos demais com a burocracia para isso.

Chega de tudo aquilo que é primitivo e essencial. Vamos por um terno.

A vertigem não é um medo de cair simplesmente. É mais do que isso. Vertigem é uma vontade tão grande de cair que a vontade que dá é de se jogar logo. E é isso que dá medo. O que aconteceria se eu me jogasse?

Um grito corta o prédio.

No chão, um corpo. Giz. Sangue.

Um bilhete. Suas últimas palavras.

“Desculpem pela bagunça”